Anda muito
Sem destino
Não telefona
Nem pra dizer
Dizer que vai
Vai andando
Sem rumo
Corre o mundo
Por passos dados
Sem números, rotas
Nada mais
Tem a si
Sempre é assim
Busca o que?
Enquanto anda
Só anda
Anda Muito
Não diz por quê.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Por onde anda?
Rabiscado Por Lucas 3 Opiniões
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sábado, 19 de dezembro de 2009
Bar

Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Amor e Adeus
Eu nunca te disse adeus
Jamais pretendi, contudo, amar-te para sempre
O amanhã me confunde
Assim como o passado me desfaz
Vejo-te torto dormindo o cansaço
Tua respiração vira ritmo
Balanço bobo na tua música
Faço letra, canto sempre, fico roco
A despedida entorpece, machuca
Não te quero ver pela última vez
Fiquemos assim para sempre
Eu, ao teu lado a velar
Você num eterno doce sono
Rabiscado Por Lucas 9 Opiniões
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Próximo ponto
Apocalipse momentâneo enquanto o ônibus passa por um grupo de crianças
Grito cru da moça que balança ao som da morte fresca
Fuga de si, sim.
O mundo acaba nos braços do dragão vermelho
Cuspes de fogo
Sopro do vento
O mendigo pergunta que hora marca o relógio.
Rabiscado Por Lucas 3 Opiniões
sábado, 28 de novembro de 2009
Espera
A espera continua no topo da escada. Troca de posição, encosta na parede. O chiclete sem gosto passeia entre os dentes elogiados pelo dentista da família. Nunca precisara de aparelho, orgulha-se. Lembra dos óculos guardados e dos graus irregulares de cada olho, fica feliz por não ter oftalmologista de família. Com um abraço apertado e um elogio pelo corte de cabelo a entrega começa e a espera termina.
Rabiscado Por Lucas 2 Opiniões
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sábado, 14 de novembro de 2009
Verdade
Maria Amélia é mulher de verdade
Lava
Passa
Cozinha
Tendo tempo, sorri
E passa pelo bairro
Com seu cabelo amarrado
Seu vestido de renda
Enquanto carrega
O menino pela mão
A trouxa na cabeça
De verdade
Maria Amélia é só.
Rabiscado Por Lucas 4 Opiniões
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Posters
Rabiscado Por Lucas 3 Opiniões
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Do sofá
O toque do telefone interrompe o transe do banho desnecessário. Não atende, imagina. Algum parente morto, algum convite chato ou talvez uma ótima proposta. Arrepende-se. Fecha o chuveiro, enrola-se na toalha rosa e sai pingando do Box na esperança de uma nova tentativa do telefone. Nada. Em plena cólera joga a tolha sobre o mesmo sofá que fora há minutos seu amante e deita no chão. O latido do cachorro impõe a realidade. Olha a sala pelos cantos dos olhos e imagina-se no meio do nada. Do vazio. De um espaço branco. Paralisa. Dorme solitária.
Rabiscado Por Lucas 2 Opiniões
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Fumaça
Rabiscado Por Lucas 4 Opiniões
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Rufus
O dia inteiro foi dedicado ao medo adormecido desde a morte de meus pais da existência de um possível assassino frio e sanguinário vivendo dentro de mim. "Oras, se for para ser, que seja!" - Pensei no fim da tarde, depois me senti um tanto medíocre por achar que devo matar alguém para ser assassino, e me deparei com a seguinte dúvida: "Assassinos decidem que são assassinos antes de matar, ou matam e vêem que são, ou matam, matam e matam e não fazem questão de se entender?". Por ter lido umas coisas de Freud nos últimos dias acabei caindo em uma auto-análise sobre o meu eu assassino que apelidei de "Rufus". Perguntei-me se mataria alguém próximo, Rufus disse-me que não, perguntei-me se mataria uma criança, Rufus respondeu-me que não, enfim, perguntei-me se mataria a mocinha do filme com uma faca de pão, Rufus respondeu-me meio encabulado também que não.
_
Escrevi e ilustro (leia-se: fiz a pose boba pra foto) o texto, mas não, não tenho Rufus ao meu lado. Inté
Rabiscado Por Lucas 9 Opiniões
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Imagem/texto/IMAGEM
Entre a mão pintada e o photoshop travando demorou duas horas.
Rabiscado Por Lucas 9 Opiniões
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Impacto
Rabiscado Por Lucas 3 Opiniões
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cerca
Pula a cerca
Aproveita tua alma acabada
Aproveita minha paciência
Pula!
Ao descaso ofereço tua vontade
Não é por mim, não minta
Suja a reputação
Limpa os sonhos
Pula!
Um provável cachorro nervoso te aguarda
Ansioso
Late forte, escuta?
Entrega-se, pula!
Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Banho
_
Água gelada, fria como a vida que leva junto ao marido e os dois filhos. Teve a mão a faca e cortou o queijo, arrependeu-se amargamente. Empurrou aos cantos da alma os sofrimentos e passou forte o sabonete onde é limpo por definição. Apoiou-se no azulejo quebrado, o único que a compreende por completo entre tantos outros perfeitos e azuis, arrogantes em sua simplicidade. Nunca tentara alcançar a simplicidade, sempre tentou o importuno, o difícil, não conseguiu jamais. Fechou a água e se sentou no chão para tornar o momento um pouco mais demorado. Sentiu o piso frio gelar a superfície da pele, amou-se onde a pele tocou o solo. Jogou ao chão sua dor, seu corpo. Cabe-se dentro de si, não se põe para fora como a personagem do livro que lera na tarde anterior, - esperava os filhos saírem do colégio quando leu a última página, a personagem virou eternidade nas frases mal arrumadas pelo autor - e ela boba, não era frase, nem livro e nem eternidade, no máximo era banheiro. Tinha ao corpo a pequena partícula que forma tudo e não conseguia sentir-se nada.
Passos fortes sobre o assoalho procuravam por ela. Teve medo, ergueu-se rápido. Caso perguntassem sobre o vão momento em que ficará em banho sem o barulho de água responderia que penteava o cabelo, caso perguntassem se o cabelo fora bem penteado diria alegre que sim. Não chamaram por ela, não a quiseram. Os passos ignoraram sua mediocridade. Era ótima frente ao fogão, sobre a máquina de lavar, e mais ainda sobre a tábua de passar. Não sendo necessária comida, roupa limpa ou passada ela não se fazia necessária. Riu, fechou a água e voltou a se sentar.
Teve medo de morrer, não de morrer, de não continuar após morta. Disseram-na quando criança que basta dez anos após sua morte para que seu nome e sua reputação vão para junto do resto do corpo embaixo da terra. Não quer seu nome junto de si sob a terra. O medo orgânico de deixar os filhos para alimento do mundo não existe, nunca existiu para ela, saíram do ventre não da alma. Não eram dela, nem de ninguém. O marido bobo que nunca descobrira sua verdadeira face tão menos importava. Queria algo mais, levantou. Ter medo da morte assegura que a vida deste jeito então é boa. Não é, e não faz sentido.
A irmã gorda que acha ter certeza de tudo, e que está sempre certa, impõe uma aceitação que não quer mais ter. Distanciou-se da irmã por alguns meses e mesmo longe seus atos eram para ela, seriam aceitos? Seriam? Não importa o arroz queimado, o que importa é se entenderão que o arroz queimou por um descuido humano, passível de ser cometido até por sua irmã. Achava-a inteligente, irritante, irônica, superior, mas quando por perto demonstrava amor fraternal. Seria esse seu propósito, viver à sombra da irmã que não faz idéia de seus atos.
Trocou a temperatura do chuveiro com leveza majestosa, a água expelida agora será quente. Tentativa falha de se sentir mais aconchegada esqueceu de abrir a torneira e se perdeu em mais alguns pensamentos. Terá ela comprado presunto suficiente para o jantar? O tempo que resta para as seis da tarde acompanhará o preparo do assado? Como será o oposto do que sinto? Inevitavelmente deixou-se cair novamente no chão. Desta vez sem tato caiu meio deitada meio ajoelhada sobre o próprio corpo. Amargou-se por não ter o livro da tarde anterior ali perto, gostaria de lê-lo, fugir da realidade, sumir entre as páginas. Não o tendo tentou inventar uma estória qualquer, fazendo de si a personagem principal. O único roteiro a que conseguiu adaptar seu personagem era o da própria história, chata, sem aventura nem animação. Seus sonhos quais eram? Poderia ter realizado algum em pensamento, trocado alguns detalhes ou arrumado os finais. Saber quais são é difícil. Achou então que precisa de uma psicóloga, um psicanalista, um analista, ou algo assim. Desistiu em seguida por medo de descobrirem o tempo que desperdiçou no banho para decidir que precisava disto. Levantou torta com as pernas dormentes, segurou-se firme na prateleira para conseguir ficar plena de pé, ficou. Saiu do box meio tonta, triste e já seca.
Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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sábado, 25 de julho de 2009
Dormir... dormir... Talvez sonhar...
Rabiscado Por Lucas 4 Opiniões
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Lixo imaginário
Podre e tão só morre a desgraça
Engraçada talvez se vista de longe
Insípida se não vista
Há vistas que preferem não ver
A culpa tem dono
O dono não tem culpa
Mora longe
Bebe uísque
Mora, bebe, morre
Tem herdeiros
Com quem fica o espaço na calçada
Não importa
Um ambulante, uma ambulância, um panfletinho
Que oferece "Dinheiro já" e diz lá no canto esquerdo
"Não jogue lixo na rua, ela é a casa de um pobre coitado"
Fim, riso, já disse que não importa?
Rabiscado Por Lucas 9 Opiniões
sábado, 11 de julho de 2009
Meio-fio
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Vento quente e passos rápidos. Bolsa de papel apertada contra o peito e vestido na altura dos joelhos com estampa de florzinhas que de longe parecem bolinhas coloridas. Bola rola nos paralelepípedos quentes, são férias. Mulheres cansadas com suas vidas na boca conversam por cima dos muros baixos. Ela passa rápido e olha para o chão concentrada tentando descobrir o assunto. Um caminhão que vai entregar a cama nova da vizinha passa pela rua e arrebenta um dos fios de eletricidade. Ela passa, mas ninguém vê. |
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
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sábado, 4 de julho de 2009
A bússola aponta sempre para o norte

Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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sábado, 27 de junho de 2009
Cama
O pé sente o lençol macio e a mão puxa a mão da mãe como se fosse ela o melhor cobertor do mundo. Sente-se seguro para dormir durante a tarde, pensa que talvez os monstros que podem oferecer perigo durante a noite podem estar ocupados demais para se interessar em perturbar seu sono vespertino.
Como não pode ser feliz? Ouvira o pai falar da existência de muita tristeza no mundo, não consegue entender, sente-se culpado. Seria ele a exceção ou mais uma anomalia? Não vê defeito no mundo e alegra-se quando as coisas não vão como devem ser, não tem medo do futuro. Será egoísmo? Por possuir muitas coisas, física e emocionalmente, ficara indiferente à tristeza do mundo? "Criança não precisa pensar nisso menino!" - Respondem sempre que pensa alto. Não pensa alto, nem fala sozinho por defeito, só gosta da sensação de conversar consigo mesmo. Dorme enfim.
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
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sábado, 20 de junho de 2009
Grey Garden

Rabiscado Por Lucas 8 Opiniões
Marcadores: 35mm, Rosas no carpete
Cigana
- Eu vejo um mundo dourado pra você.
- Só por olhar as linhas da minha mão?
- É. Vejo também que terá muitos amores.
- E com qual devo ficar?
- Escolha. É possível que fique muito rico.
- Já me disseram isso.
- Mas morrerá cedo de câncer.
- Larga a minha mão sua puta.
- Está bem, morrerá dormindo.
- Exato...
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
terça-feira, 16 de junho de 2009
Catarse
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Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
Marcadores: Conto, Emergência
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Temporal
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira..."
O mais é nada.
Sim, desenho meu.
[Há tempos - Legião urbana]
Rabiscado Por Lucas 27 Opiniões
Marcadores: Amor/dor em preto e branco, Desenho
terça-feira, 12 de maio de 2009
Memes

1- Uma porta de madeira feita de mural. (Eu não tinha um daqueles quadros de cortiça e tinha muitas taxinhas, o resultado é previsível.)
2- Um violão. (Usado como porta-tocas.)
3- Um colchão. (Sim, eu abdiquei da cama.)
4- Desenhos colados na parede. (Rascunhos, guaches, aquarelas etc.)
5- Um pôster do Myspace Secret Shows que teve na Lapa. (Matanza e Autoramas)
6- Um toca discos. (Que acabei de estragar. Vou levar pro conserto essa semana!)
7- Discos. (Eu tenho um do Bob Dylan. *-*)
8- A mesa do computador. (Carinhosamente apelidada pela minha mãe de "essa bagunça".)
9- Uma estante de ferro. (Livros, incensos, pastas, cadernos, pincéis, tintas etc.)
10- Eu. (Geralmente de meias furadas, roupa de dormir e falando sozinho.)
1- Agarrar o livro mais próximo;
2- Abrir na página 161;
3- Procurar a quinta frase completa;
4- Colocar a frase no blog;
5- Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo;
6- Passar para cinco pessoas!
Livro: "Perto do coração selvagem" - Clarice Lispector.
"Quando a porta se abriu para Joana ele deixou de existir"
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Para:
http://davisbitch.blogspot.com/
http://lectervirouvegetariano.blogspot.com/
http://muitosemum.blogspot.com/
http://marcelodalla.blogspot.com/
http://procurandoavida.blogspot.com/
É isso.
Rabiscado Por Lucas 5 Opiniões
domingo, 10 de maio de 2009
Lassidão programada
Não fosse a janela de fronte ao leste não teria o maravilhoso prazer de acordar com a luz do primeiro sol do dia. Ainda cansado e um tanto preguiçoso decidi aos suspiros e bocejos ficar por mais algum tempo sobre a cama. Minha ineficácia mental não permitiu pensamentos muito profundos após a decisão de algum tempo de ócio sobre os lençóis, portanto foi com enorme energia e quase nenhuma conclusão que levantei e fui à padaria. A importância com a aparência e as roupas ficou para trás após a guerra que participei mentalmente, depois de tantas batalhas ganhei a guerra e perdi o prazer pela estética. Ao chegar à padaria, vestindo meu pijama e ostentando meu não-penteado, fui à caixa e pedi dois maços do meu cigarro e um pacote de pão integral. A moça risonha e sem criatividade então fez a mesma piada que ouço há meses: "Pão integral pra cuidar da saúde, ah, e seus cigarros para ter de que cuidar (sorriso)". Medíocre. Peguei minha sacola e fui para casa.
O carro vermelho parado na frente de meu portão denunciou que Joana resolveu voltar para terminar o discurso do dia anterior. "Oh, deus!" - Exclamo sempre que vejo esse maldito carro, força do hábito. Após o "bom dia" e acender um cigarro ela se levantou e ofereceu o isqueiro para acender um para mim. "O que você quer?" - Perguntei, enquanto preparava o café, rompendo o silêncio. Na verdade eu sabia o que ela queria e que não ficaria ali tempo suficiente para beber o café que aceitou, mas mesmo com minhas deduções sempre pergunto, detesto ficar perto de outro alguém em silêncio, meu silêncio é só meu. Com Joana longe e suas reclamações ainda ao meu lado fui tratar de minha vida.
Rabiscado Por Lucas 13 Opiniões
quarta-feira, 6 de maio de 2009
He looks like a soap bubble
Rabiscado Por Lucas 12 Opiniões
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Delírios risíveis
Rabiscado Por Lucas 12 Opiniões
Marcadores: Cinzento, Incompleto, Loucura crônica, pintura
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Outono
A luz vermelha de um sol amigo invade a sala de estar, um vento frio me toca a pele e um silêncio tão audível e amável quanto um riso infantil me levam para além de mim mesmo.
Tão simples e tão perpétuo é o momento que sinto vontade de ficar ali parado, para sempre.
Até enfim que o sol se vai e me liberta do prazer sufocante do fim de tarde.
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
terça-feira, 14 de abril de 2009
Conto dos pobres gatos mortos
Não fosse a última cruel evidência, os assassinatos do bairro não seriam descobertos. Tudo começou quando o pobre Romeu apareceu moribundo no portão de dona Zuleica. Romeu era um gato sério, desses que não se dão aos infortúnios acometidos pelos outros felinos do bairro. Nunca ouvi o pobre gato se quer miar em meu telhado. O coitado, aparentemente envenenado, foi o primeiro de uma sucessão de crimes cruéis. Sem explicação, o defunto foi posto em um saco plástico e levado pela coleta pública de lixo.
Em uma segunda-feira chuvosa o segundo a perder a vida foi Reginaldo. Era um gato esperto, filho de legítimos siameses. Nunca dera trabalho a sua jovem dona. Foi aos prantos que Ritinha recolheu, em um misto de nojo e tristeza, seu amado Reginaldo. O gato teve o funeral que mereceu. Lápide e velas enfeitaram o jardim de Ritinha até o tempo tornar-lhes lixo.
O medo e a insegurança eram perceptíveis no olhar de todos os gatos que passavam por mim. Sentia dó ao me imaginar em suas peles peludas. Senti tanto que me pus a buscar informações relevantes sobre as mortes inexplicáveis do bairro. Mortes sucessivas ocorreram sem adicionar nada interessante à minha investigação, apenas que gatos morrem fácil demais.
De minha janela da sala de estar posso ver o quintal de seu Roberval. Senhor honesto e bastante querido nas redondezas, como aqueles que distribuem pirulitos e deseja "bom dia" a deus e ao mundo. Enfim, em minha observação matinal regada a café amargo, deparei-me com uma cena um tanto esquisita. Pude ver o bom velho nas pontas de seus carcomidos pés colocar uma pequena vasilha preta em cima do muro que protege sua casa dos desprazeres da rua.
Tenho a árdua tarefa de levar seu Roberval de carro toda quinta-feira à farmácia da cidade. Tendo em vista os melhores preços para seus remédios vitais e a pouca mobilidade de seus ossos, levo-o até lá por puro filantropismo. Em nossa última ida ao centro pedi a ele que me deixasse analisar suas orquídeas. Puro bom humor, deixou-me sem retrucar. Quando voltamos, estacionei em seu portão e adentramos em sua casa. Com seu lento caminhar e a necessidade de guardar os remédios comprados andou em direção a porta da casa e me deixou esperando-o voltar para dissertar sobre suas orquídeas. O tempo foi mais que necessário para eu descobrir que no seu vasilhame em cima do muro tinha muito mais que comida de gato. "Seu Roberval é um assassino!" - Pensei com cólera, porém antes de desmascarar o inescrupuloso Roberval, escutei sua explicação sobre as orquídeas e tomamos um delicioso chá com biscoitos juntos.
Rabiscado Por Lucas 16 Opiniões
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Impessoalidade
Os destroços da figura interna são complexos e merecem atenção. Não a atenção da senhora pseudo-intelectual que o escuta por horas pagas no fim do mês. Continua indo às sessões por gostar das tentativas falhas de entendimento de seu "verdadeiro eu". Seu "eu" íntimo, problemático, inatingível é só seu, de mais ninguém.
A conciliação entre os desejos mórbidos de sua personalidade fácil com seu outro "eu" denso tem de ser auto-concebida, e não proposta por estranhos que nunca encostaram no núcleo do átomo purgante e explosivo.
Suas prosas públicas feitas em grupo escondem o mal sujeito que não vê solução. O "eu" simples funciona como esponja de caracteres recebidos. Sonhos, vontade, desapegos e ódios ditos entre assuntos irrelevantes são sugados e expostos futuramente. Não há verdade. Frente ao mundo corrosivo melhor expor coisas boas, comuns.
O "estranho eu" fala ao ouvido nos momentos solitários, provoca pensamentos de crise, indaga sobre a falsa reputação, fere. Não vendo solução o torna alheio.
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
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domingo, 29 de março de 2009
Entropia
A noite anterior deixou suas marcas. O gosto amargo na boca trás lembranças desagradáveis. O zumbido agudo continua a se perpetuar em seus ouvidos.
A mão passa sobre o cabelo tentando arrumar a desordem. Um bocejo interrompe a ação deixando a mão estática.
Passos atrás da porta denunciam a presença de familiares assassinos de maus atos. A voz macia pergunta com cuidado: "Você já acordou?". A pergunta é ignorada assim como a dor de cabeça atordoante.
Um sopro frio vindo da janela entreaberta deixa o corpo arrepiado. A primeira sensação boa do dia projeta um sorriso no rosto inchado.
O óculos com lentes sujas é posto. Indaga-se se consegue enxergar melhor com ou sem o objeto pendurado no rosto.
Está indiferente. Levanta.
Rabiscado Por Lucas 9 Opiniões
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Devaneios aleatórios
Os sonhos não existem desde que o relógio sutilmente ordenou que o dia começasse.
A vida tem suas curvas, seus segredos, suas cores.
O amigo da fila se transforma em pensamento quando não está presente.
Existem pessoas que são apenas necessárias por algumas horas, são mais eficazes como rastros de lembranças.
A escada define o caminho.
Seus músculos e suas pretensões dizem se é possível e necessário.
Cenas jamais se repetem.
Uma gota de água que cai do teto com infiltração pode mudar uma vida.
Uma cena se transforma por menos.
Os homens sujos procuram com olhares o que lhes é imposto.
A necessidade tem suas exceções.
Regras já nascem quebradas.
O cigarro após o almoço acaba.
Rabiscado Por Lucas 7 Opiniões
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terça-feira, 17 de março de 2009
Tão perto
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Esqueço a menina que chora ao meu lado no banco do parque, esqueço o sofrimento da velha reumática que se empurra contra a idade pela ciclovia, esqueço a dor de viver a esperar o momento certo de levantar-me, abrir o guarda-chuva, e partir.
Vivo o trigésimo terceiro ano de minha estadia neste planeta, e o momento exato de partir nunca se mostrou para mim. Entenda partir não só como ir para algum lugar, mas sim libertar-me de certo modo.
A chuva chega, vai, e eu continuo, não literalmente é claro, parado em um banco de praça. Tenho minha vida, meus amores, meus ódios e até meus segredos, mas nunca pude dizer que levantei do banco da praça e parti.
Sempre vivi a observar e sentir os outros. Se alguém cai de uma bicicleta não levanto para ajudar, apenas sinto a dor das feridas que a queda abriu. Caso alguém ganhe qualquer coisa, fico extremamente feliz. E se perde, fico triste por dias. Assim vou indo, olho a chuva e imagino friamente me molhar.
Rabiscado Por Lucas 8 Opiniões
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sábado, 14 de março de 2009
Nítido
O mesmo vento que entortou a flor passou no cabelo desarrumado anunciando a tarde fria.
As aquarelas sem sal são os vestígios.
Rabiscado Por Lucas 7 Opiniões
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Cinzas
Trocaria sua vida de fama e sucesso por um amor?
Compraria morangos silvestres com o dinheiro destinado ao copo de rum?
O menino baila no salão vazio, sem música, sem companhia, sem vontade. É necessário manter o posto! É necessário morrer a cada esquina?
A vida é sua, lute por suas causas! Cause em suas lutas. Esqueça de mim, meu problema é a falta de interesse em suas causas e em todas as nossas conseqüências.
Em uma das festas falsas - que não divertem - perguntaram se está tudo bem. Tudo nunca está bem, meus queridos, nunca. Porém, por alívio de consciências, saibam que da cabeça para baixo tudo está em ótimo estado.
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Rabiscado Por Lucas 15 Opiniões
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Eu te amo, mas não para sempre, desculpe.
"Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário" - Cazuza
Ela Mariana, 23, fotógrafa, ama antiquários, odeia casas verdes. Ele Luciano, 25, artista plástico, ama a chuva, odeia cheiro de morango - não o morango. Tinham costumes diferentes, quase opostos, porém em um dia em que o café frequentado por Mariana e o bar por Luciano estavam fechados resolveram, ao mesmo tempo, ir ao museu da cidade. A exposição parecia mostrar as piores obras do pintor. "Se me der um gato e um balde de tinta eu reproduzo esse quadro" - Luciano disse a Mariana enquanto olhavam para o mesmo quadro e faziam a mesma expressão. Ela riu. Ele a convidou para um café, "O café está fechado!" - respondeu, continuou: "Que tal uma cerveja?". "O bar está fechado." - Respondeu triste Luciano. "Não quer andar um pouco por aí?" - Perguntou Mariana, que ficou encabulada até receber o "sim" amoroso.
O "andar por aí" se transformou em "quer subir?", que depois de algumas semanas virou "quer namorar comigo?". "Brigas todos têm" - Diziam enquanto se abraçavam no fim de alguma discussão. Passaram semanas, meses, então três anos. O namoro parecia ser eterno, mas o cheiro dos perfumes enjoava tanto quanto os olhares. O amor se tornou ódio. E o fim foi declarado em plena estação do metrô.
- Quando você disser que chega às nove, por favor, chegue às nove.
- São só nove e meia Luciano.
- Não to disposto pra brigas, vamos logo?
- Pra onde?
- Oras. Pro museu.
- Não pode ser pro parque?
- Não Mariana. Aquela exposição em que nos conhecemos está lá de novo. E eu acho interessante comemorar três anos de namoro onde tudo começou.
- Ah, claro, mas antes eu preciso te contar uma coisa Luciano.
- Fala.
- Semana passada eu fiquei com o Eduardo.
Eduardo, 27, editor chefe, patrão de Mariana, ama manchas de tintas, odeia gritos.
- "Ficou" em que sentido?
- Nós transamos ora.
- Por quê?
- Não te interessa.
- Ta, já que é assim eu preciso confessar que transei com a Márcia.
Márcia, 29, empresária, vizinha de Luciano, ama barulho de moedas caindo no chão, odeia cheiro de velas.
- Eu não acredito!
Olharam-se, riram e partiram.
O amor não acabou, ele nunca acaba. Muda de nome, de imagem, de destinatário, de sabor, de intensidade. Muda sempre, não acaba nunca.
Rabiscado Por Lucas 10 Opiniões
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Bloco do eu sozinho.
Da janela é possível ver. Ver a mulher que passa com o sorriso sujo de batom, o menino magro que pula sem entender o refrão do samba-enredo, as crianças que se arriscam em ofender os homens fantasiados que as matam de medo.
O resmungar incontrolável da velha que cata latas é indescritível. Talvez sinta sede, talvez sinta fome, talvez seja carnaval.
A chaleira apita, imita o som feito nas ruas, sente inveja. A água que grita viraria chá, porém é substituído por café nos últimos minutos do início de uma noite vazia. Café forte com gosto de Brasil.
Faz calor na sala apertada e escura. O rádio se preocupa apenas em tocar os CDs dos Beatles. A TV protesta silenciosa ao exibir um leilão interminável de jóias. O mundo festeja delirante. É linda a distância que se pode ter do mundo com um pouco de esforço e frieza.
A caneca na mão denota solidão, o roupão demonstra desmazelo, a face não esconde a tristeza. A cena é mutável, sempre será.
Um bloco de rua passa. Convida a todos para participar da festa animada, demonstra o que a resposta positiva pode proporcionar. Some confuso por não agregar mais foliões. Resolve trocar a decepção por "são vocês que estão perdendo". A noite continua.
O telefone toca interrompendo o pensamento sobre o livro lido no dia anterior. A proposta interessa, cativa e é negada. A solidão neste momento é preferível. A vida chama, indaga, propõe. É preciso entender, é necessário explicar.
A noite termina entre dúvidas e tamborins.
Sobre os selos que me mandaram nas útlimas semanas: Selos
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Atrás de um sorriso.
O ônibus é pego as pressas, tenho que chegar a uma da tarde. Solto, ainda é meio-dia. A corrida até o ponto do próximo ônibus me cansa. Como pode um menino de 18 anos estar cansado com uma mísera corrida? Como pode um menino de 18 anos correr cansado para o ponto de ônibus? Como pode um menino de 18 anos fumante não cansar ao correr no sol de 40º do Rio de Janeiro? O segundo ônibus foi pego, e nele aconteceram coisas maravilhosas, consegui voltar a respirar normalmente, por exemplo. Depois de 25 minutos eu já fazia parte do ônibus, estava lá sentado com os cabelos ao vento e com o olhar fixo na paisagem que se movia rapidamente. O sol e o morro não eram tão rápidos ao passar quanto as casas e lojinhas de beira de estrada, só pra constar. Cheguei por lá às 13:01, fui correndo por cima da grama que desde sempre não se pode pisar. "Não pise na grama", "Não fume" e o mais importante "Não pense, nem sob tortura". Cheguei, disse "Boa tarde", responderam-me simpaticamente. Às duas horas e meia que seguem o "Boa tarde" são coisas minhas, pulemos. Ao sair consegui tirar umas fotos do lugar, não pretendia ilustrar esta crônica e naquele momento, pra falar a verdade, nem imaginava esta crônica.

Mais um ônibus em meu caminho, porém este com um gosto diferente, gosto de vitória, de parabéns, de tranquilidade. As mesmas paisagens passavam em minha janela, entretanto agora com os tons de laranja, vermelho e amarelo que o sol lhes dava e na direção contrária. O calor dentro do ônibus era inebriante, unificador. Todos diziam "Que calor!", a sensação era geral, então no ápice das reclamações ao astro que nos mantém funcionando me foi incontrolável sorrir para a menina que tentava cantarolar qualquer coisa no colo da mãe.
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Certas coisas não precisam que seu sentido seja exposto como troféu a todos que as vêem. Se não faz sentido para você, continue nesta rua e vire à esquerda.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Apêndice (1/2)

Passou a noite com seus pensamentos e com a repulsa pela recepcionista indiscreta, não dormiu. Saiu do motel confuso, não sabia para onde ir. Decidiu, depois de pairar por centenas de incertezas, ligar para um antigo amigo que o convidou há uns anos atrás para morar em uma república de estudantes de arquitetura. Ligou.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Apêndice (1)
Quando a mochila começou a pesar e sua dor nas costas chamou mais atenção que seus pensamentos, parou em um motel de esquina, onde a atendente repugnante perguntou-lhe se desejava companhia.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Na cabeça de um Marechal.

A pomba louca tinha nome. Conseguia conversar. Fala sempre com seus amigos, que só sabem arrulhar. Nunca recebeu uma resposta digna. Nunca soube a quem amar. Muda seu nome diariamente. Quem vai nela reparar?
Sua vida teve propósito, quando viu Roberval. Um pombinho lindo e branco. Parado sempre na cabeça de um Marechal. Floriano ou Peixoto? Quem dera Deus saber. A pomba louca não ligava. Amava Roberval pelo seu jeito de ser.
Tomou coragem e voou perto. Viu os olhos Roberval. É paixão! – pensou ela. Ou será instinto maternal? Não conseguiu entender. Preferiu deixar de lado. Foi embora sem saber, o que pensava seu amado.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Le pipe
"Um dia terá que ser admitido oficialmente que o que batizamos de realidade é uma ilusão até maior do que o mundo dos sonhos." - Salvador Dali
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Prêmio Dardos/ Olha que Blog Maneiro - Selos
Postagem modificada dia 31/01/09

Agradeço a Luciane (Sobre isso ou sobre aquilo) pela citação do meu Blog para o Prêmio "Dardos".
O Prêmio Dardos é uma forma inteligente de reconhecimento entre os blogueiros e tem algumas regras a serem seguidas pelos indicados:
-O indicado deve escolher outros 15 blogs para premiar.
-O indicado deve informar em seu blog quem o indicou ao prêmio.
-O indicado deve ter o selo do prêmio em seu blog na página principal.
-O indicado deve avisar aos premiados.
Os blogs que indico para receber o Premio Dardos são:
http://lectervirouvegetariano.blogspot.com/
http://filosofiamadorista.blogspot.com/
http://muitosemum.blogspot.com/
http://rebuscandoaconsciencia.blogspot.com/
http://davisbitch.blogspot.com/
http://beto-spiceboy.blogspot.com/
http://desnecessarioporemvalido.blogspot.com/
Não foram 15. :)
Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmHsjCYuXA0_Ei4iemwnXogqsaRfwrLO_WyIrp6cWK7KB6e6BpWFvD9Ihyphenhyphenvhyphenhyphen3pNX1oxD_Za-vNtr4rNXPm58_uw4Y_1ERbVvSy6Zo7Cw3qsvQFMfC7MkxeAngpukcBr7iNcQdJg_pgOQ/s187/imagem+premio_dardos_thumb1.jpg

Agradeço ao Beto (Beto Spice Boy's World) pela citação do meu Blog para o selo "Olha que blog maneiro."
Regras:
1. Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!!!
2. Poste o link do blog que te indicou. (muito importante!!!)
3. Indique 10 blogs de sua preferência.
4. Avise seus indicados.
5. Publique as regras.
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7. Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação.
Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
Blogs indicados:
(Vide indicação do "Prêmio Dardos")
Obrigado ao Beto e a Luciene pelo reconhecimento.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Epitáfio.
Foi comprado por míseros cinco reais, que se não fossem usados em sua compra seriam gastos em um maço de cigarros. Recebeu o nome de Epitáfio, não por seu significado mórbido, mas sim pela beleza e pelo mistério que rondam a morte.
Não tinha pedras coloridas, peças de um jogo de xadrez de vidro quebrado se apropriaram dignamente do serviço.
- É fêmea ou macho?
- Não sei.
- Como não, você os vende sem saber o que são?
- Se são verdes ou azuis digo que são machos, se são vermelhos ou amarelos digo que são fêmeas. Ninguém reclamou até hoje.
É azul, então é macho, mas isso pouco importa agora. Já estabelecemos alguns contatos, com furtivos olhares. Descobri uma coisa surpreendente, ele é mais profundo que o aquário que o guarda.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
2.169 passos.

Tenho em mim a certeza de que poderia ter feito de forma diferente. E ainda nem o fiz. Este sentimento angustiante tem me perturbado constantemente e não sei mas o que fazer.
Em soluções pensei algumas, nada tão relevante, nada milagrosamente solucionador. Perco dias andando neste apartamento imundo com uma caneca vazia na mão. Poderia fazer um café, poderia fazer uma análise psicológica, podia até fazer um café enquanto analiso tal mesquinha ação psicologicamente. Não o faço, nem o farei. Sou indolente, sei disso. Não me importo, acho até que já perdi alguns quilos andando de canto a canto no "AP" 201.
A campanhinha não toca há dias, acho que está competindo com meu telefone, uma daquelas brincadeiras de quem falar primeiro perde, estão empatados. A televisão não sintoniza mais um maldito canal, devem ter cancelado a assinatura. Fica o dia todo a mostrar-me belos e dançantes pontos pretos e brancos, já até me afeiçoei a eles.
Acho que ontem lá pelas cinco da tarde resolvi contar meus passos. Contei 2.169, cansei. Pelas oito da noite decidi dar alguns pulos, confesso que foram divertidos, mas às 8:05 Dona Evarista estava cutucando o teto (leia-se meu piso) com um cabo de vassoura, parei. Não me recordo à hora exata, deve ter sido entre as 10 e 11 desta manhã, fui até a janela da área de serviço e em três dias foi o único momento em que parei. Na janela de um apartamento do bloco de trás pude ver o filho do síndico a neta de Dona Evarista e mais um guri aos beijos e abraços. A cena me interessou, consegui abrir até um sorriso, mas quando os meninos me viram a admirá-los, eu um bardo de 32 anos considerado louco por todo o condomínio, fecharam assustados a cortina do quarto. Pena, voltei a andar.

Lucas Moratelli, Rio 19/01/09
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Desisto!
Não quero ser, definitivamente. Deixo abertas as janelas de minh’alma, prontas a qualquer vento forte que deseje batê-las contra as paredes que me suportam, se é que as tenho. Não vejo mais beleza em minhas fraquezas, tão menos virtudes em minhas poucas forças. Covarde! - Não digo que não, afinal alguns já provaram que sim. "É preciso ter uma personalidade forte!" - Escuto desde sempre. E se não a tenho? E se for assim, simples, covarde, chorão, bobo, esperto (Inteligente? - não, não.), colorido, torto, cansado, etceteras mais. Envergonhava-me até hoje de ser, sim, de ser o que eu, decididamente, não era.
Pretendo agora, se é que me permitem dizer o que pretendo, dizer "não” quando quiser, sonhar meus próprios sonhos, escrever meus próprios textos, fugir de minhas personalidades tolas, enfim, ser o que eu era sem ser.
Não estou ficando louco, e se sou, já sou há bastante tempo. Vou terminar esta carta sem uma conclusão genial, faz tempo que me prendo a elas, tendo poucas vezes conseguido fazê-las.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Falar pra quê?

- Que falta de sorte.
Resmungou quando terminou de conferir o bilhete da loteria. Estava às pressas, tinha que chegar cedo ao trabalho.
- É você que está errado amigo!
Gritou com o velho que tentava avançar o sinal e o quase atropelou. Só faltavam dez pras nove, precisava chegar as nove em ponto. Nunca entendeu o tal do ponto. E sempre que tentava entender alguma coisa que tinha certeza não entender, sentia fortes dores de cabeça.
- O Oswaldo já chegou?
Perguntou à secretária gorda que o olhava admirada pela sua beleza cansada. Fica lindo quando está com pressa ou preocupado. É de família.
- Que ótimo!
Disse quando a secretária respondeu-lhe que não. Não poderia chegar depois de Oswaldo. Era o mais animado da repartição. Sem ele quem gritaria "Feliz aniversário" quando Oswaldo chegar?
- Feliz aniversário!
Gritou atordoado quando viu que Oswaldo chegara atrás dele. Não teve sucesso. Oswaldo chorava, souberam rápido o por quê: Perdera a mãe durante a madrugada.
- Que falta de sorte!
Resmungou enquanto andava a caminho do abraço de aniversário/pêsames de Oswaldo seu amigo.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Enquanto não chove.
Lúcia e sua pomba têm encontros diários, geralmente à tarde, quando o sol alaranjado entra no quarto apertado onde Lúcia dorme e vive. Lúcia conta a pomba coisas de sua vida e suas melhores estórias. A pomba dá a Lúcia o que ela espera das tardes ensolaradas entre os goles do chá, alguns olhares e um pouco e atenção.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Esquadros.

Não fosse o quadro me perderia,
Para sempre
Sem saber
Que o quadro não permite,
Que eu me perca.
La poesia è un percorso per l'anima ¹
¹ A poesia é um caminho para a alma.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Robertos e Marianas;
Tudo começou quando a impaciente Mariana me pediu um maldito emprego na loja de conveniência em que eu sou o gerente. "Sim, claro!" - Respondi. Sabia bem das qualificações da moça, e precisava mesmo de uma operadora de caixa. A vaga foi preenchida e também o vazio que caracterizava a vida da Mariana. Dois meses depois a menina veio-me dizer que voltou a estudar, respondi que achava isso ótimo, mas pouco me importava com os estudos da guria, não conseguia parar de olhar para ela, estava apaixonado.
Em casa não podia deixar Roberto notar nada de estranho comigo. Eu e Roberto já estávamos juntos há quatro anos, ele tinha 27 e eu 26. Ele Trabalhava como enfermeiro em dois hospitais no centro, e faltava só mais um semestre para terminar o curso de medicina e se tornar o Doutor Roberto. "Pouco me importa meu futuro!" - Eu dizia quando ele se punha a reclamar da minha medíocre vida. Eu sei! Era mesmo medíocre, e um tanto chata. Eufemismos me sobram para descrever minha vida, e não pretendo usá-los neste pobre relato. Só basta saber que não tenho nenhuma prática com artes cênicas e, portanto minha paixão foi logo notada por Roberto. Não gosto de mentir. Na verdade eu gosto, mas alguma coisa me fazia falar a verdade. E falei! Roberto riu, mas quando afirmei a hitória toda, ele ficou pasmo. "Você transou com essa putinha?" - Roberto me perguntou com raiva. Disse que não, ele se acalmou, e disse-me que era para eu parar logo com isso. Fui dormir depois do ataque raivoso do Roberto, e sabia que no dia seguinte a primeira coisa que ia fazer era falar com a moça.
Quando acordei não tinha mais ninguém em casa, só eu e a foto da Edith Piaf parecíamos vivos no quarto. Tomei banho, me vesti e fui trabalhar. Não lembro ao certo a conversa que tive com Mariana, mas sei que alguns minutos depois estávamos transando no estoque. Não foi tão bom quanto imaginei. Nada estava bom, todas as minhas frases relacionadas à minha vida vinham com o belo fragmento "vai melhorar" no final. Enquanto eu me recompunha no estoque, decidi. Saí de lá e fui pedir demissão. Tinha algum dinheiro no banco e um passaporte que me deixava morar na Europa. Desisti de Robertos e Marianas. Vivo hoje na Holanda, moro com uma velha senhora que não me cobra aluguel, só pede, às vezes, que lhe invente algumas histórias.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Se errado é;
Não fosse a raiva, rimaria,
E faria belos
Os versos mortos
Do poema a cá.
Rimar engrandece,
E não pretendo jamais
Engrandecer
Um poema tolo .
Ouvi dizer ,
Que primeira pessoa não pôde.
E daí?
Eu não ligo, eu não ligo.
Não quero poesias famosas,
Tão menos
Famosas poesias,
Que mudam a ordem sem mudar o significado.
Rabiscado Por Lucas 8 Opiniões
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Operação tigre de bengala;
Não que fosse necessário, afinal não era. Gostava de ser assim, sentia até certo prazer na impessoalidade que demonstrava com as pessoas ao seu redor. Sua mãe odiava algumas de suas atitudes, "Que menino hipócrita!" - dizia. Não era mais menino era homem feito. Não era hipócrita era abobalhado. Tinha suas atitudes milimetricamente calculadas, e quando alguma coisa dava errado: "Eu esperava por isso!" - exclamava confuso.
Vez em quando tinha algum plano complicado, e gostava de dividi-los com seus amigos, imaginários, que estavam sempre por perto. Dava nomes as coisas, seus planos sempre tinham, chamava-os com alguns nomes que via nas operações policiais da tevê. "Operação tigre de bengala" - Foi o nome que mais adorou, tanto que teve continuação: "Operação tigre de bengala dois".
Tinha 27 anos quando sua mãe morreu, ou melhor, matou-se. Nunca soube o porquê, preferia não saber. Foi viver com a Tia Adelaide. "Megera!" - Pensava alto. Não via a hora de por o plano em prática e fugir dali. Dizem que por pressa o nome da operação foi só "Fuga" mesmo.