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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sozinhos

Tão diferentes e tão iguais. Porque se distanciam assim? Fazem parecer difícil um contato verdadeiro do olhar; fazem parecer mentira um gesto ou outro, parecem, mas não fazem. Ignorância seria exigir autenticidade em cada passo, afinal, é grande o tamanho da estrada e a ilusão de que ficarão nela por muito tempo, mas fazem um eterno jogo de máscaras, infelizmente, às vezes, com pessoas que não querem brincar de teatro.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fumaça

A tarde caia quente soprando um vento morno e deixando os corpos agitados. Um bonde barulhento acendia as luzes enquanto passava frente a um bar meio vazio. As crianças libertas da última aula que tiveram conversavam alto enquanto faziam uma garrafa de bola e chutavam-na entre si. Um homem de sandálias passava no portão enferrujado da casa antiga enquanto respirava fundo. Um cheiro forte de fumaça tomava conta de todo o bairro. Por um segundo tudo parou, o vento, o bonde, as crianças, o homem e a fumaça. Ela se olhou séria diante do espelho e virou eternidade.

sábado, 4 de julho de 2009

A bússola aponta sempre para o norte

Pensou nos filhos sem futuro, pensou no choro da esposa, lembrou até dos latidos importunos do cachorro durante a noite e continuou a andar. Não andava por liberdade, não mesmo, andava tentando achar um rumo, uma direção. Perdia-se toda vez que olhava para o céu, tinha inveja das nuvens, do azul, do nada. Pisava em passos firmes, afinal não ter um rumo não era desculpa para não ser intenso. No sapato carregava dedos ativos e animados que se mexiam entre os contatos do sapato com o solo. Estava em êxtase constante, o que era difícil explicar para um sujeito mal letrado e com uma vida tão sem..., sem..., enfim, sem. Cogitou diversas vezes durante seu percurso a não existência de um rumo a seguir, sendo esse o único caminho verdadeiro. Desistiu de cogitar, cansava demais. Já lhe mostraram alguns caminhos alternativos, a maioria com salvação espiritual no final, ele simples não se importava com o final, mas o que viveria até chegar lá, agradecia e continuava a andar. Divertiu-se quando lhe fizeram uma proposta para a venda de sua alma; "Chefia, não posso vender uma coisa que não sei se tenho no estoque." - Respondeu maroto. E sem muitas explicações e algumas dores que fez questão de enfrentar, ele morreu.