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segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu te amo, mas não para sempre, desculpe.

"Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário" - Cazuza


Indo em direções contrárias iam corações contrários. Amor é dor a longo prazo, sabiam, arriscaram. E antes de narrar a separação de duas almas é necessário contar o início dos dias mais coloridos de ambas as partes envolvidas.
Ela Mariana, 23, fotógrafa, ama antiquários, odeia casas verdes. Ele Luciano, 25, artista plástico, ama a chuva, odeia cheiro de morango - não o morango. Tinham costumes diferentes, quase opostos, porém em um dia em que o café frequentado por Mariana e o bar por Luciano estavam fechados resolveram, ao mesmo tempo, ir ao museu da cidade. A exposição parecia mostrar as piores obras do pintor. "Se me der um gato e um balde de tinta eu reproduzo esse quadro" - Luciano disse a Mariana enquanto olhavam para o mesmo quadro e faziam a mesma expressão. Ela riu. Ele a convidou para um café, "O café está fechado!" - respondeu, continuou: "Que tal uma cerveja?". "O bar está fechado." - Respondeu triste Luciano. "Não quer andar um pouco por aí?" - Perguntou Mariana, que ficou encabulada até receber o "sim" amoroso.

O "andar por aí" se transformou em "quer subir?", que depois de algumas semanas virou "quer namorar comigo?". "Brigas todos têm" - Diziam enquanto se abraçavam no fim de alguma discussão. Passaram semanas, meses, então três anos. O namoro parecia ser eterno, mas o cheiro dos perfumes enjoava tanto quanto os olhares. O amor se tornou ódio. E o fim foi declarado em plena estação do metrô.

- Quando você disser que chega às nove, por favor, chegue às nove.

- São só nove e meia Luciano.

- Não to disposto pra brigas, vamos logo?

- Pra onde?

- Oras. Pro museu.

- Não pode ser pro parque?

- Não Mariana. Aquela exposição em que nos conhecemos está lá de novo. E eu acho interessante comemorar três anos de namoro onde tudo começou.

- Ah, claro, mas antes eu preciso te contar uma coisa Luciano.

- Fala.

- Semana passada eu fiquei com o Eduardo.

Eduardo, 27, editor chefe, patrão de Mariana, ama manchas de tintas, odeia gritos.

- "Ficou" em que sentido?

- Nós transamos ora.

- Por quê?

- Não te interessa.

- Ta, já que é assim eu preciso confessar que transei com a Márcia.

Márcia, 29, empresária, vizinha de Luciano, ama barulho de moedas caindo no chão, odeia cheiro de velas.

- Eu não acredito!

Olharam-se, riram e partiram.
O amor não acabou, ele nunca acaba. Muda de nome, de imagem, de destinatário, de sabor, de intensidade. Muda sempre, não acaba nunca.

[Eu esqueci de assinar o desenho quando o terminei, mas é meu.]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Robertos e Marianas;

Tudo começou quando a impaciente Mariana me pediu um maldito emprego na loja de conveniência em que eu sou o gerente. "Sim, claro!" - Respondi. Sabia bem das qualificações da moça, e precisava mesmo de uma operadora de caixa. A vaga foi preenchida e também o vazio que caracterizava a vida da Mariana. Dois meses depois a menina veio-me dizer que voltou a estudar, respondi que achava isso ótimo, mas pouco me importava com os estudos da guria, não conseguia parar de olhar para ela, estava apaixonado.

Em casa não podia deixar Roberto notar nada de estranho comigo. Eu e Roberto já estávamos juntos há quatro anos, ele tinha 27 e eu 26. Ele Trabalhava como enfermeiro em dois hospitais no centro, e faltava só mais um semestre para terminar o curso de medicina e se tornar o Doutor Roberto. "Pouco me importa meu futuro!" - Eu dizia quando ele se punha a reclamar da minha medíocre vida. Eu sei! Era mesmo medíocre, e um tanto chata. Eufemismos me sobram para descrever minha vida, e não pretendo usá-los neste pobre relato. Só basta saber que não tenho nenhuma prática com artes cênicas e, portanto minha paixão foi logo notada por Roberto. Não gosto de mentir. Na verdade eu gosto, mas alguma coisa me fazia falar a verdade. E falei! Roberto riu, mas quando afirmei a hitória toda, ele ficou pasmo. "Você transou com essa putinha?" - Roberto me perguntou com raiva. Disse que não, ele se acalmou, e disse-me que era para eu parar logo com isso. Fui dormir depois do ataque raivoso do Roberto, e sabia que no dia seguinte a primeira coisa que ia fazer era falar com a moça.

Quando acordei não tinha mais ninguém em casa, só eu e a foto da Edith Piaf parecíamos vivos no quarto. Tomei banho, me vesti e fui trabalhar. Não lembro ao certo a conversa que tive com Mariana, mas sei que alguns minutos depois estávamos transando no estoque. Não foi tão bom quanto imaginei. Nada estava bom, todas as minhas frases relacionadas à minha vida vinham com o belo fragmento "vai melhorar" no final. Enquanto eu me recompunha no estoque, decidi. Saí de lá e fui pedir demissão. Tinha algum dinheiro no banco e um passaporte que me deixava morar na Europa. Desisti de Robertos e Marianas. Vivo hoje na Holanda, moro com uma velha senhora que não me cobra aluguel, só pede, às vezes, que lhe invente algumas histórias.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Who was born?

Não, ninguém nasceu, e se nasceu não se orgulharia do que é feito.
“Alguém me ajuda a rechear o peru?" - Disse ela purgando de felicidade.
Teu peru recheado não faz questão de participar da celebração! Nem colocaram o nome dele no amigo-oculto.

Cansei de Natal.

- Aceita um Dry Martini?
- Sim.

Depois de dois diálogos exatamente iguais ao que escrevi acima, me vi aos papos com a viúva, de marido vivo, ela preferia o imaginar morto. Falávamos de consumismo. Falávamos de Dry Martinis. Falávamos. Era Natal. "A festa cristã!" - A viúva exclamou com felicidade. Fechei os olhos por um estante. A viúva frígida achou que não a ouvia - não a ouvia mesmo - e saiu de perto praguejando todos do mundo. A meia noite a viúva desejou-me "Feliz Natal".

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domingo, 21 de dezembro de 2008

Depois das 10; (Cap. 3)

Capítulo 1
Capítulo 2
(Só clicar)

N
ão sabia as condições impostas por seu destino. Não sabia que tinha destino. Quando anda prefere não saber. Andava a passos largos. Em uma direção qualquer.

“Eu sempre fui boa para aquele canalha.” – Disse alto, assustou a velhinha que passava por ela.
- Desculpe senhora! Sabe me dizer pra onde fica o viaduto?
- Vire segunda esquerda, e tente parar de falar sozinha, filha, causa má impressão.

“Pro inferno com a boa impressão” – Pensou firme enquanto dava à velha um singelo sorriso.
Subiu rápido o viaduto - que não era tão alto quanto ela imaginava - e foi se sentar no muro de proteção.

“Não, não posso fazer isso por causa de um homem!” – Pensou. Sabia, desde o princípio, que não o faria. Queria fazer como em filme, a moça arrependida recomeça a vida e a faz de forma surpreendente após desistir de se matar.

Julia abriu um sorriso bonito. Era linda! Resolveu fumar um cigarro antes de ir para casa recomeçar de forma surpreendente sua vida. Deixou o isqueiro - dado pelo “canalha” - cair. Assustou-se, deu um grito, caiu junto.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Relacionamento morto;

(Foto e Edição: Eu!)


- A que horas ele chega?
- Não sei meu bem. Você está muito ansiosa pro meu gosto!
- E não é pra estar?
- Sei que é, mas não sei se devemos mesmo fazer isso.
- Claro que devemos Rui. O livro dizia que só com uma experiência dessas poderemos reavivar nosso relacionamento.
- Só acho exagerado demais para nós dois.
- É também acho, mas pode ser bom, e quem não morre, não vê Deus!
- Lá vem você com esses ditados ridículos do seu pai.
- Ridículo, mas muito animador.
- Você imagina como vai ser isso?
- ...
- Patrícia!
- Que foi?
- Por que essa cara de prazer?
- Só estou imaginando como será.
- Acho que eu vou sobrar nessa história.
- Claro que não Ruizinho.
- Você sabe que odeio "Ruizinho". E acho melhor não fazermos isso!
- Agora não dá pra voltar atrás, o menino já deve estar chegando.

(Campanhinha)

- Chegou, viu!
- Tudo bem, vamos fazer.
- Ótimo! Você prefere a faca ou o estilete?
- Tanto faz Patrícia! Nunca matei ninguém...

Lucas Moratelli