É como mudar de apartamento, mas sem levar as roupas.
É como comprar carro novo, mas deixando a carteira de motorista.
Mudo de ares, talvez de assuntos. Cansei das ideias, elas demandam tempo.
Quer me encontrar?
Continuo perdido nos botecos da vida, nas coxas cansadas, nos sonhos dormidos.
Novo velho endereço para os que gostam desta minha companhia:
http://recorteabstrato.blogspot.com/
Agente se vê.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
fim de temporada
Rabiscado Por Lucas 3 Opiniões
sábado, 20 de junho de 2009
Cigana
- Eu vejo um mundo dourado pra você.
- Só por olhar as linhas da minha mão?
- É. Vejo também que terá muitos amores.
- E com qual devo ficar?
- Escolha. É possível que fique muito rico.
- Já me disseram isso.
- Mas morrerá cedo de câncer.
- Larga a minha mão sua puta.
- Está bem, morrerá dormindo.
- Exato...
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Eu te amo, mas não para sempre, desculpe.
"Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário" - Cazuza
Ela Mariana, 23, fotógrafa, ama antiquários, odeia casas verdes. Ele Luciano, 25, artista plástico, ama a chuva, odeia cheiro de morango - não o morango. Tinham costumes diferentes, quase opostos, porém em um dia em que o café frequentado por Mariana e o bar por Luciano estavam fechados resolveram, ao mesmo tempo, ir ao museu da cidade. A exposição parecia mostrar as piores obras do pintor. "Se me der um gato e um balde de tinta eu reproduzo esse quadro" - Luciano disse a Mariana enquanto olhavam para o mesmo quadro e faziam a mesma expressão. Ela riu. Ele a convidou para um café, "O café está fechado!" - respondeu, continuou: "Que tal uma cerveja?". "O bar está fechado." - Respondeu triste Luciano. "Não quer andar um pouco por aí?" - Perguntou Mariana, que ficou encabulada até receber o "sim" amoroso.
O "andar por aí" se transformou em "quer subir?", que depois de algumas semanas virou "quer namorar comigo?". "Brigas todos têm" - Diziam enquanto se abraçavam no fim de alguma discussão. Passaram semanas, meses, então três anos. O namoro parecia ser eterno, mas o cheiro dos perfumes enjoava tanto quanto os olhares. O amor se tornou ódio. E o fim foi declarado em plena estação do metrô.
- Quando você disser que chega às nove, por favor, chegue às nove.
- São só nove e meia Luciano.
- Não to disposto pra brigas, vamos logo?
- Pra onde?
- Oras. Pro museu.
- Não pode ser pro parque?
- Não Mariana. Aquela exposição em que nos conhecemos está lá de novo. E eu acho interessante comemorar três anos de namoro onde tudo começou.
- Ah, claro, mas antes eu preciso te contar uma coisa Luciano.
- Fala.
- Semana passada eu fiquei com o Eduardo.
Eduardo, 27, editor chefe, patrão de Mariana, ama manchas de tintas, odeia gritos.
- "Ficou" em que sentido?
- Nós transamos ora.
- Por quê?
- Não te interessa.
- Ta, já que é assim eu preciso confessar que transei com a Márcia.
Márcia, 29, empresária, vizinha de Luciano, ama barulho de moedas caindo no chão, odeia cheiro de velas.
- Eu não acredito!
Olharam-se, riram e partiram.
O amor não acabou, ele nunca acaba. Muda de nome, de imagem, de destinatário, de sabor, de intensidade. Muda sempre, não acaba nunca.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Falar pra quê?

- Que falta de sorte.
Resmungou quando terminou de conferir o bilhete da loteria. Estava às pressas, tinha que chegar cedo ao trabalho.
- É você que está errado amigo!
Gritou com o velho que tentava avançar o sinal e o quase atropelou. Só faltavam dez pras nove, precisava chegar as nove em ponto. Nunca entendeu o tal do ponto. E sempre que tentava entender alguma coisa que tinha certeza não entender, sentia fortes dores de cabeça.
- O Oswaldo já chegou?
Perguntou à secretária gorda que o olhava admirada pela sua beleza cansada. Fica lindo quando está com pressa ou preocupado. É de família.
- Que ótimo!
Disse quando a secretária respondeu-lhe que não. Não poderia chegar depois de Oswaldo. Era o mais animado da repartição. Sem ele quem gritaria "Feliz aniversário" quando Oswaldo chegar?
- Feliz aniversário!
Gritou atordoado quando viu que Oswaldo chegara atrás dele. Não teve sucesso. Oswaldo chorava, souberam rápido o por quê: Perdera a mãe durante a madrugada.
- Que falta de sorte!
Resmungou enquanto andava a caminho do abraço de aniversário/pêsames de Oswaldo seu amigo.
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sábado, 27 de dezembro de 2008
D. Estefânia; 1
“Era moça simples e estudiosa, usava roupas comportadas e de cores neutras e ia à igreja diariamente.” – Cochichou a gorda para D. Estefânia dentro do ônibus.
“Você está se referindo a filha do Seu Manoel” – Perguntou confusa D. Estefânia.
“Ela mesma. Dizem que agora trabalha em bordel!” – Respondeu a gorda com cólera.
“Acho ótimo quando os jovens se interessam cedo pelo trabalho” – Disse contente D. Estefânia.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Who was born?
Não, ninguém nasceu, e se nasceu não se orgulharia do que é feito.
“Alguém me ajuda a rechear o peru?" - Disse ela purgando de felicidade.
Teu peru recheado não faz questão de participar da celebração! Nem colocaram o nome dele no amigo-oculto.
Cansei de Natal.
- Aceita um Dry Martini?
- Sim.
Depois de dois diálogos exatamente iguais ao que escrevi acima, me vi aos papos com a viúva, de marido vivo, ela preferia o imaginar morto. Falávamos de consumismo. Falávamos de Dry Martinis. Falávamos. Era Natal. "A festa cristã!" - A viúva exclamou com felicidade. Fechei os olhos por um estante. A viúva frígida achou que não a ouvia - não a ouvia mesmo - e saiu de perto praguejando todos do mundo. A meia noite a viúva desejou-me "Feliz Natal".
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Relacionamento morto;
- A que horas ele chega?
- Não sei meu bem. Você está muito ansiosa pro meu gosto!
- E não é pra estar?
- Sei que é, mas não sei se devemos mesmo fazer isso.
- Claro que devemos Rui. O livro dizia que só com uma experiência dessas poderemos reavivar nosso relacionamento.
- Só acho exagerado demais para nós dois.
- É também acho, mas pode ser bom, e quem não morre, não vê Deus!
- Lá vem você com esses ditados ridículos do seu pai.
- Ridículo, mas muito animador.
- Você imagina como vai ser isso?
- ...
- Patrícia!
- Que foi?
- Por que essa cara de prazer?
- Só estou imaginando como será.
- Acho que eu vou sobrar nessa história.
- Claro que não Ruizinho.
- Você sabe que odeio "Ruizinho". E acho melhor não fazermos isso!
- Agora não dá pra voltar atrás, o menino já deve estar chegando.
(Campanhinha)
- Chegou, viu!
- Tudo bem, vamos fazer.
- Ótimo! Você prefere a faca ou o estilete?
- Tanto faz Patrícia! Nunca matei ninguém...
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Vazio;
Incrível era seu mundo: florido, colorido e amado. Era o centro, era o rei, era Danilo.
- O que você está fazendo aqui?
- Não sei mesmo.
- Ué, não me diga que seus pensamentos te trouxeram.
- Quem sabe. Ultimamente eles tem me levado a uns lugares tão estranhos.
- Ta bem. Mas vai ficar aí parado, ou pode me ajudar?
- Ajudo.
- Pega aquelas caixas ali. O idiota do Roberto não veio hoje.
- Ele morreu.
- Mas como guri?
- Morreu ué.
- Entendi, mas como?
- Sei lá. Acho que foi assassinado ou coisa assim.
- Mas gente! E ninguém me avisa? Eu poderia ter mandado flores, ou sei lá, uma garrafa de Vodka pro seu Pedro.
- Ah, esquece isso.
- Tudo é tão fácil pra você, não é Danilo? Até parece que você não o amava.
- Amava, mas chegou à hora dele, eu acho.
- Que menino mais frio!
- Para com isso Jorge. Não acho que seja necessário tudo isso.
- Um dia teu mundo caí. Aí eu quero ser o primeiro a te dizer "Eu te avisei".
- Ok, um dia avise.
- Não seja malcriado Danilo.
- Não serei. Cê me dá o emprego do Roberto?
- Porque você quer o emprego do seu irmão?
- Não sei. Vai ver que meus pensamentos é que querem.
- Você começa na segunda. E manda meus pêsames a teu pai.
De cinza pintou-se o mundo de Danilo. Suas flores deram lugar a cactos. Seu amor não tinha mais.
Por Lucas Moratelli
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