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sábado, 13 de março de 2010

6:30 am

Mãos frias sobre as horas
A gota de chuva cai no silêncio
Um tremor vagaroso escala a espinha
Alguém vive ali dentro

Espaço apertado na solidão
O despertador clama por movimento
Se cerca em um laço fechado
Rola e empurra violento

O peso do mundo ancora as pálpebras
A perna contorce em fuga do chão
Aperta a dor e o desejo de estar vivo
Levanta 

Começa
Repete.

domingo, 29 de março de 2009

Entropia


O domingo chove na manhã tranquila. Os olhos pesados pela noite mal dormida fazem esforço para abrir. Os possíveis confrontos do dia duplicam a falta de vontade de se levantar.
A noite anterior deixou suas marcas. O gosto amargo na boca trás lembranças desagradáveis. O zumbido agudo continua a se perpetuar em seus ouvidos.
A mão passa sobre o cabelo tentando arrumar a desordem. Um bocejo interrompe a ação deixando a mão estática.
Passos atrás da porta denunciam a presença de familiares assassinos de maus atos. A voz macia pergunta com cuidado: "Você já acordou?". A pergunta é ignorada assim como a dor de cabeça atordoante.
Um sopro frio vindo da janela entreaberta deixa o corpo arrepiado. A primeira sensação boa do dia projeta um sorriso no rosto inchado.
O óculos com lentes sujas é posto. Indaga-se se consegue enxergar melhor com ou sem o objeto pendurado no rosto.
Está indiferente. Levanta.


[Femme Assise. Miró, Joan]

sábado, 14 de março de 2009

Nítido

O mesmo vento que entortou a flor passou no cabelo desarrumado anunciando a tarde fria.

As aquarelas sem sal são os vestígios.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bloco do eu sozinho.

Da janela é possível ver. Ver a mulher que passa com o sorriso sujo de batom, o menino magro que pula sem entender o refrão do samba-enredo, as crianças que se arriscam em ofender os homens fantasiados que as matam de medo.

O resmungar incontrolável da velha que cata latas é indescritível. Talvez sinta sede, talvez sinta fome, talvez seja carnaval.

A chaleira apita, imita o som feito nas ruas, sente inveja. A água que grita viraria chá, porém é substituído por café nos últimos minutos do início de uma noite vazia. Café forte com gosto de Brasil.

Faz calor na sala apertada e escura. O rádio se preocupa apenas em tocar os CDs dos Beatles. A TV protesta silenciosa ao exibir um leilão interminável de jóias. O mundo festeja delirante. É linda a distância que se pode ter do mundo com um pouco de esforço e frieza.

A caneca na mão denota solidão, o roupão demonstra desmazelo, a face não esconde a tristeza. A cena é mutável, sempre será.

Um bloco de rua passa. Convida a todos para participar da festa animada, demonstra o que a resposta positiva pode proporcionar. Some confuso por não agregar mais foliões. Resolve trocar a decepção por "são vocês que estão perdendo". A noite continua.

O telefone toca interrompendo o pensamento sobre o livro lido no dia anterior. A proposta interessa, cativa e é negada. A solidão neste momento é preferível. A vida chama, indaga, propõe. É preciso entender, é necessário explicar.

A noite termina entre dúvidas e tamborins.


Sobre os selos que me mandaram nas útlimas semanas: Selos

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