quarta-feira, 21 de abril de 2010
As pérolas
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
Pingo
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sábado, 27 de março de 2010
Dona Rosa
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domingo, 7 de março de 2010
Escada
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sábado, 23 de janeiro de 2010
Estático
"Oh, se esta carne sólida, tão sólida, se esfizesse, fundindo-se em orvalho! Ou se ao menos o Eterno não houvesse condenado o suicídio! Ó Deus! Ó Deus! Como se me afiguram fastidiosas, fúteis e vãs as coisas deste mundo! Que horror! Jardim inculto em que só medram ervas daninhas, cheio só das coisas mais rudes e grosseiras."
Hamlet - Ato 1, Cena 2.
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domingo, 10 de janeiro de 2010
Florista
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Praia
Passinhos leves contra o mar por força grande contra as ondas. Sol abóbora com céu manchado de fim de tarde. Viu marrom pelas lentes dos óculos antigos. Não deixou balançar a bolsa simples feita de um pano estampado. Mão na água feita a alisar o mar. Evaporou a sensação de brisa fresca. Sentiu sorriso, segurou algo pulsante por dentro. Nuvem branca migrando pro ali puxando pássaros organizados em triângulo sem base. Ela viu.
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sábado, 28 de novembro de 2009
Espera
A espera continua no topo da escada. Troca de posição, encosta na parede. O chiclete sem gosto passeia entre os dentes elogiados pelo dentista da família. Nunca precisara de aparelho, orgulha-se. Lembra dos óculos guardados e dos graus irregulares de cada olho, fica feliz por não ter oftalmologista de família. Com um abraço apertado e um elogio pelo corte de cabelo a entrega começa e a espera termina.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Do sofá
O toque do telefone interrompe o transe do banho desnecessário. Não atende, imagina. Algum parente morto, algum convite chato ou talvez uma ótima proposta. Arrepende-se. Fecha o chuveiro, enrola-se na toalha rosa e sai pingando do Box na esperança de uma nova tentativa do telefone. Nada. Em plena cólera joga a tolha sobre o mesmo sofá que fora há minutos seu amante e deita no chão. O latido do cachorro impõe a realidade. Olha a sala pelos cantos dos olhos e imagina-se no meio do nada. Do vazio. De um espaço branco. Paralisa. Dorme solitária.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Fumaça
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Rufus

O dia inteiro foi dedicado ao medo adormecido desde a morte de meus pais da existência de um possível assassino frio e sanguinário vivendo dentro de mim. "Oras, se for para ser, que seja!" - Pensei no fim da tarde, depois me senti um tanto medíocre por achar que devo matar alguém para ser assassino, e me deparei com a seguinte dúvida: "Assassinos decidem que são assassinos antes de matar, ou matam e vêem que são, ou matam, matam e matam e não fazem questão de se entender?". Por ter lido umas coisas de Freud nos últimos dias acabei caindo em uma auto-análise sobre o meu eu assassino que apelidei de "Rufus". Perguntei-me se mataria alguém próximo, Rufus disse-me que não, perguntei-me se mataria uma criança, Rufus respondeu-me que não, enfim, perguntei-me se mataria a mocinha do filme com uma faca de pão, Rufus respondeu-me meio encabulado também que não.
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Escrevi e ilustro (leia-se: fiz a pose boba pra foto) o texto, mas não, não tenho Rufus ao meu lado. Inté
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Banho
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Água gelada, fria como a vida que leva junto ao marido e os dois filhos. Teve a mão a faca e cortou o queijo, arrependeu-se amargamente. Empurrou aos cantos da alma os sofrimentos e passou forte o sabonete onde é limpo por definição. Apoiou-se no azulejo quebrado, o único que a compreende por completo entre tantos outros perfeitos e azuis, arrogantes em sua simplicidade. Nunca tentara alcançar a simplicidade, sempre tentou o importuno, o difícil, não conseguiu jamais. Fechou a água e se sentou no chão para tornar o momento um pouco mais demorado. Sentiu o piso frio gelar a superfície da pele, amou-se onde a pele tocou o solo. Jogou ao chão sua dor, seu corpo. Cabe-se dentro de si, não se põe para fora como a personagem do livro que lera na tarde anterior, - esperava os filhos saírem do colégio quando leu a última página, a personagem virou eternidade nas frases mal arrumadas pelo autor - e ela boba, não era frase, nem livro e nem eternidade, no máximo era banheiro. Tinha ao corpo a pequena partícula que forma tudo e não conseguia sentir-se nada.
Passos fortes sobre o assoalho procuravam por ela. Teve medo, ergueu-se rápido. Caso perguntassem sobre o vão momento em que ficará em banho sem o barulho de água responderia que penteava o cabelo, caso perguntassem se o cabelo fora bem penteado diria alegre que sim. Não chamaram por ela, não a quiseram. Os passos ignoraram sua mediocridade. Era ótima frente ao fogão, sobre a máquina de lavar, e mais ainda sobre a tábua de passar. Não sendo necessária comida, roupa limpa ou passada ela não se fazia necessária. Riu, fechou a água e voltou a se sentar.
Teve medo de morrer, não de morrer, de não continuar após morta. Disseram-na quando criança que basta dez anos após sua morte para que seu nome e sua reputação vão para junto do resto do corpo embaixo da terra. Não quer seu nome junto de si sob a terra. O medo orgânico de deixar os filhos para alimento do mundo não existe, nunca existiu para ela, saíram do ventre não da alma. Não eram dela, nem de ninguém. O marido bobo que nunca descobrira sua verdadeira face tão menos importava. Queria algo mais, levantou. Ter medo da morte assegura que a vida deste jeito então é boa. Não é, e não faz sentido.
A irmã gorda que acha ter certeza de tudo, e que está sempre certa, impõe uma aceitação que não quer mais ter. Distanciou-se da irmã por alguns meses e mesmo longe seus atos eram para ela, seriam aceitos? Seriam? Não importa o arroz queimado, o que importa é se entenderão que o arroz queimou por um descuido humano, passível de ser cometido até por sua irmã. Achava-a inteligente, irritante, irônica, superior, mas quando por perto demonstrava amor fraternal. Seria esse seu propósito, viver à sombra da irmã que não faz idéia de seus atos.
Trocou a temperatura do chuveiro com leveza majestosa, a água expelida agora será quente. Tentativa falha de se sentir mais aconchegada esqueceu de abrir a torneira e se perdeu em mais alguns pensamentos. Terá ela comprado presunto suficiente para o jantar? O tempo que resta para as seis da tarde acompanhará o preparo do assado? Como será o oposto do que sinto? Inevitavelmente deixou-se cair novamente no chão. Desta vez sem tato caiu meio deitada meio ajoelhada sobre o próprio corpo. Amargou-se por não ter o livro da tarde anterior ali perto, gostaria de lê-lo, fugir da realidade, sumir entre as páginas. Não o tendo tentou inventar uma estória qualquer, fazendo de si a personagem principal. O único roteiro a que conseguiu adaptar seu personagem era o da própria história, chata, sem aventura nem animação. Seus sonhos quais eram? Poderia ter realizado algum em pensamento, trocado alguns detalhes ou arrumado os finais. Saber quais são é difícil. Achou então que precisa de uma psicóloga, um psicanalista, um analista, ou algo assim. Desistiu em seguida por medo de descobrirem o tempo que desperdiçou no banho para decidir que precisava disto. Levantou torta com as pernas dormentes, segurou-se firme na prateleira para conseguir ficar plena de pé, ficou. Saiu do box meio tonta, triste e já seca.
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sábado, 11 de julho de 2009
Meio-fio
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Vento quente e passos rápidos. Bolsa de papel apertada contra o peito e vestido na altura dos joelhos com estampa de florzinhas que de longe parecem bolinhas coloridas. Bola rola nos paralelepípedos quentes, são férias. Mulheres cansadas com suas vidas na boca conversam por cima dos muros baixos. Ela passa rápido e olha para o chão concentrada tentando descobrir o assunto. Um caminhão que vai entregar a cama nova da vizinha passa pela rua e arrebenta um dos fios de eletricidade. Ela passa, mas ninguém vê. |
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sábado, 4 de julho de 2009
A bússola aponta sempre para o norte
Pensou nos filhos sem futuro, pensou no choro da esposa, lembrou até dos latidos importunos do cachorro durante a noite e continuou a andar. Não andava por liberdade, não mesmo, andava tentando achar um rumo, uma direção. Perdia-se toda vez que olhava para o céu, tinha inveja das nuvens, do azul, do nada. Pisava em passos firmes, afinal não ter um rumo não era desculpa para não ser intenso. No sapato carregava dedos ativos e animados que se mexiam entre os contatos do sapato com o solo. Estava em êxtase constante, o que era difícil explicar para um sujeito mal letrado e com uma vida tão sem..., sem..., enfim, sem. Cogitou diversas vezes durante seu percurso a não existência de um rumo a seguir, sendo esse o único caminho verdadeiro. Desistiu de cogitar, cansava demais. Já lhe mostraram alguns caminhos alternativos, a maioria com salvação espiritual no final, ele simples não se importava com o final, mas o que viveria até chegar lá, agradecia e continuava a andar. Divertiu-se quando lhe fizeram uma proposta para a venda de sua alma; "Chefia, não posso vender uma coisa que não sei se tenho no estoque." - Respondeu maroto. E sem muitas explicações e algumas dores que fez questão de enfrentar, ele morreu. Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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sábado, 27 de junho de 2009
Cama
O pé sente o lençol macio e a mão puxa a mão da mãe como se fosse ela o melhor cobertor do mundo. Sente-se seguro para dormir durante a tarde, pensa que talvez os monstros que podem oferecer perigo durante a noite podem estar ocupados demais para se interessar em perturbar seu sono vespertino.
Como não pode ser feliz? Ouvira o pai falar da existência de muita tristeza no mundo, não consegue entender, sente-se culpado. Seria ele a exceção ou mais uma anomalia? Não vê defeito no mundo e alegra-se quando as coisas não vão como devem ser, não tem medo do futuro. Será egoísmo? Por possuir muitas coisas, física e emocionalmente, ficara indiferente à tristeza do mundo? "Criança não precisa pensar nisso menino!" - Respondem sempre que pensa alto. Não pensa alto, nem fala sozinho por defeito, só gosta da sensação de conversar consigo mesmo. Dorme enfim.
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