quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Le pipe



"Um dia terá que ser admitido oficialmente que o que batizamos de realidade é uma ilusão até maior do que o mundo dos sonhos." - Salvador Dali

Prêmio Dardos/ Olha que Blog Maneiro - Selos

Postagem modificada dia 31/01/09


Agradeço a Luciane (Sobre isso ou sobre aquilo) pela citação do meu Blog para o Prêmio "Dardos".


O Prêmio Dardos é uma forma inteligente de reconhecimento entre os blogueiros e tem algumas regras a serem seguidas pelos indicados:

-O indicado deve escolher outros 15 blogs para premiar.
-O indicado deve informar em seu blog quem o indicou ao prêmio.
-O indicado deve ter o selo do prêmio em seu blog na página principal.
-O indicado deve avisar aos premiados.

Os blogs que indico para receber o Premio Dardos são:

http://lectervirouvegetariano.blogspot.com/
http://filosofiamadorista.blogspot.com/
http://muitosemum.blogspot.com/
http://rebuscandoaconsciencia.blogspot.com/
http://davisbitch.blogspot.com/
http://beto-spiceboy.blogspot.com/
http://desnecessarioporemvalido.blogspot.com/

Não foram 15. :)

Imagem: http://4.bp.blogspot.com/_7EwhvEngKoo/SX_NtFnG0CI/AAAAAAAAAIM/wsLANdgrKhg/S187/imagem+premio_dardos_thumb1.jpg



Agradeço ao Beto (Beto Spice Boy's World) pela citação do meu Blog para o selo "Olha que blog maneiro."

Regras:

1. Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!!!
2. Poste o link do blog que te indicou. (muito importante!!!)
3. Indique 10 blogs de sua preferência.
4. Avise seus indicados.
5. Publique as regras.
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7. Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação.
Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.


Blogs indicados:

(Vide indicação do "Prêmio Dardos")

Obrigado ao Beto e a Luciene pelo reconhecimento.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Epitáfio.


Foi comprado por míseros cinco reais, que se não fossem usados em sua compra seriam gastos em um maço de cigarros. Recebeu o nome de Epitáfio, não por seu significado mórbido, mas sim pela beleza e pelo mistério que rondam a morte.

Não tinha pedras coloridas, peças de um jogo de xadrez de vidro quebrado se apropriaram dignamente do serviço.

- É fêmea ou macho?
- Não sei.
- Como não, você os vende sem saber o que são?
- Se são verdes ou azuis digo que são machos, se são vermelhos ou amarelos digo que são fêmeas. Ninguém reclamou até hoje.

É azul, então é macho, mas isso pouco importa agora. Já estabelecemos alguns contatos, com furtivos olhares. Descobri uma coisa surpreendente, ele é mais profundo que o aquário que o guarda.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

2.169 passos.


Tenho em mim a certeza de que poderia ter feito de forma diferente. E ainda nem o fiz. Este sentimento angustiante tem me perturbado constantemente e não sei mas o que fazer.

Em soluções pensei algumas, nada tão relevante, nada milagrosamente solucionador. Perco dias andando neste apartamento imundo com uma caneca vazia na mão. Poderia fazer um café, poderia fazer uma análise psicológica, podia até fazer um café enquanto analiso tal mesquinha ação psicologicamente. Não o faço, nem o farei. Sou indolente, sei disso. Não me importo, acho até que já perdi alguns quilos andando de canto a canto no "AP" 201.

A campanhinha não toca há dias, acho que está competindo com meu telefone, uma daquelas brincadeiras de quem falar primeiro perde, estão empatados. A televisão não sintoniza mais um maldito canal, devem ter cancelado a assinatura. Fica o dia todo a mostrar-me belos e dançantes pontos pretos e brancos, já até me afeiçoei a eles.

Acho que ontem lá pelas cinco da tarde resolvi contar meus passos. Contei 2.169, cansei. Pelas oito da noite decidi dar alguns pulos, confesso que foram divertidos, mas às 8:05 Dona Evarista estava cutucando o teto (leia-se meu piso) com um cabo de vassoura, parei. Não me recordo à hora exata, deve ter sido entre as 10 e 11 desta manhã, fui até a janela da área de serviço e em três dias foi o único momento em que parei. Na janela de um apartamento do bloco de trás pude ver o filho do síndico a neta de Dona Evarista e mais um guri aos beijos e abraços. A cena me interessou, consegui abrir até um sorriso, mas quando os meninos me viram a admirá-los, eu um bardo de 32 anos considerado louco por todo o condomínio, fecharam assustados a cortina do quarto. Pena, voltei a andar.
Justificar
Lucas Moratelli, Rio 19/01/09

A belíssima foto, dos meus pés, foi feita e tratada por: Tainá Oliveira

domingo, 18 de janeiro de 2009

Desisto!

Desisto, em carta aberta, de ser.

Não quero ser, definitivamente. Deixo abertas as janelas de minh’alma, prontas a qualquer vento forte que deseje batê-las contra as paredes que me suportam, se é que as tenho. Não vejo mais beleza em minhas fraquezas, tão menos virtudes em minhas poucas forças. Covarde! - Não digo que não, afinal alguns já provaram que sim. "É preciso ter uma personalidade forte!" - Escuto desde sempre. E se não a tenho? E se for assim, simples, covarde, chorão, bobo, esperto (Inteligente? - não, não.), colorido, torto, cansado, etceteras mais. Envergonhava-me até hoje de ser, sim, de ser o que eu, decididamente, não era.

Pretendo agora, se é que me permitem dizer o que pretendo, dizer "não” quando quiser, sonhar meus próprios sonhos, escrever meus próprios textos, fugir de minhas personalidades tolas, enfim, ser o que eu era sem ser.

Não estou ficando louco, e se sou, já sou há bastante tempo. Vou terminar esta carta sem uma conclusão genial, faz tempo que me prendo a elas, tendo poucas vezes conseguido fazê-las.

Rio de Janeiro, 18/01/2009

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Falar pra quê?


- Que falta de sorte.
Resmungou quando terminou de conferir o bilhete da loteria. Estava às pressas, tinha que chegar cedo ao trabalho.
- É você que está errado amigo!
Gritou com o velho que tentava avançar o sinal e o quase atropelou. Só faltavam dez pras nove, precisava chegar as nove em ponto. Nunca entendeu o tal do ponto. E sempre que tentava entender alguma coisa que tinha certeza não entender, sentia fortes dores de cabeça.
- O Oswaldo já chegou?
Perguntou à secretária gorda que o olhava admirada pela sua beleza cansada. Fica lindo quando está com pressa ou preocupado. É de família.
- Que ótimo!
Disse quando a secretária respondeu-lhe que não. Não poderia chegar depois de Oswaldo. Era o mais animado da repartição. Sem ele quem gritaria "Feliz aniversário" quando Oswaldo chegar?
- Feliz aniversário!
Gritou atordoado quando viu que Oswaldo chegara atrás dele. Não teve sucesso. Oswaldo chorava, souberam rápido o por quê: Perdera a mãe durante a madrugada.
- Que falta de sorte!
Resmungou enquanto andava a caminho do abraço de aniversário/pêsames de Oswaldo seu amigo.


[Mais fotos: http://www.flickr.com/photos/lucasmoratelli]

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Enquanto não chove.

A simplicidade da cena torna-a bela, não mais que suas personagens, mas bela. O quarto é bastante tradicional, assim como fora Lúcia em sua juventude. Lúcia não é mais tradicional, não é mais jovem. Lúcia vive só, um "só" relativo, um "só" de pessoas. Tem a companhia constante e bastante significativa de uma pequena pomba. Não é branca, não é bela, não é. Assim como Lúcia a pomba faz questão de não ser.

Lúcia e sua pomba têm encontros diários, geralmente à tarde, quando o sol alaranjado entra no quarto apertado onde Lúcia dorme e vive. Lúcia conta a pomba coisas de sua vida e suas melhores estórias. A pomba dá a Lúcia o que ela espera das tardes ensolaradas entre os goles do chá, alguns olhares e um pouco e atenção.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Esquadros.



Não fosse o quadro me perderia,
Para sempre
Sem saber
Que o quadro não permite,
Que eu me perca.

La poesia è un percorso per l'anima ¹


¹ A poesia é um caminho para a alma.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Robertos e Marianas;

Tudo começou quando a impaciente Mariana me pediu um maldito emprego na loja de conveniência em que eu sou o gerente. "Sim, claro!" - Respondi. Sabia bem das qualificações da moça, e precisava mesmo de uma operadora de caixa. A vaga foi preenchida e também o vazio que caracterizava a vida da Mariana. Dois meses depois a menina veio-me dizer que voltou a estudar, respondi que achava isso ótimo, mas pouco me importava com os estudos da guria, não conseguia parar de olhar para ela, estava apaixonado.

Em casa não podia deixar Roberto notar nada de estranho comigo. Eu e Roberto já estávamos juntos há quatro anos, ele tinha 27 e eu 26. Ele Trabalhava como enfermeiro em dois hospitais no centro, e faltava só mais um semestre para terminar o curso de medicina e se tornar o Doutor Roberto. "Pouco me importa meu futuro!" - Eu dizia quando ele se punha a reclamar da minha medíocre vida. Eu sei! Era mesmo medíocre, e um tanto chata. Eufemismos me sobram para descrever minha vida, e não pretendo usá-los neste pobre relato. Só basta saber que não tenho nenhuma prática com artes cênicas e, portanto minha paixão foi logo notada por Roberto. Não gosto de mentir. Na verdade eu gosto, mas alguma coisa me fazia falar a verdade. E falei! Roberto riu, mas quando afirmei a hitória toda, ele ficou pasmo. "Você transou com essa putinha?" - Roberto me perguntou com raiva. Disse que não, ele se acalmou, e disse-me que era para eu parar logo com isso. Fui dormir depois do ataque raivoso do Roberto, e sabia que no dia seguinte a primeira coisa que ia fazer era falar com a moça.

Quando acordei não tinha mais ninguém em casa, só eu e a foto da Edith Piaf parecíamos vivos no quarto. Tomei banho, me vesti e fui trabalhar. Não lembro ao certo a conversa que tive com Mariana, mas sei que alguns minutos depois estávamos transando no estoque. Não foi tão bom quanto imaginei. Nada estava bom, todas as minhas frases relacionadas à minha vida vinham com o belo fragmento "vai melhorar" no final. Enquanto eu me recompunha no estoque, decidi. Saí de lá e fui pedir demissão. Tinha algum dinheiro no banco e um passaporte que me deixava morar na Europa. Desisti de Robertos e Marianas. Vivo hoje na Holanda, moro com uma velha senhora que não me cobra aluguel, só pede, às vezes, que lhe invente algumas histórias.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Se errado é;

Não fosse a raiva, rimaria,
E faria belos
Os versos mortos

Do poema a cá
.

Rimar engrandece,
E não pretendo jamais
Engrandecer

Um poema tolo
.

Ouvi dizer
,
Que primeira pessoa não pôde.

E daí?

Eu não ligo, eu não ligo.


Não quero poesias famosas
,
Tão menos

Famosas poesias,

Que mudam a ordem sem mudar o significado.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Operação tigre de bengala;

Não que fosse necessário, afinal não era. Gostava de ser assim, sentia até certo prazer na impessoalidade que demonstrava com as pessoas ao seu redor. Sua mãe odiava algumas de suas atitudes, "Que menino hipócrita!" - dizia. Não era mais menino era homem feito. Não era hipócrita era abobalhado. Tinha suas atitudes milimetricamente calculadas, e quando alguma coisa dava errado: "Eu esperava por isso!" - exclamava confuso.

Vez em quando tinha algum plano complicado, e gostava de dividi-los com seus amigos, imaginários, que estavam sempre por perto. Dava nomes as coisas, seus planos sempre tinham, chamava-os com alguns nomes que via nas operações policiais da tevê. "Operação tigre de bengala" - Foi o nome que mais adorou, tanto que teve continuação: "Operação tigre de bengala dois".

Tinha 27 anos quando sua mãe morreu, ou melhor, matou-se. Nunca soube o porquê, preferia não saber. Foi viver com a Tia Adelaide. "Megera!" - Pensava alto. Não via a hora de por o plano em prática e fugir dali. Dizem que por pressa o nome da operação foi só "Fuga" mesmo.