sábado, 28 de novembro de 2009

Espera

Parado em espera teoriza a situação. Vê o mesmo homem passando duas vezes na mesma direção com um menino no colo. Encenação forçada. Figurantes sem vontade. Corre os olhos pelo rapaz torneado que o admira com desejo. Indaga-se. Admite. Perde-o de vista.
A espera continua no topo da escada. Troca de posição, encosta na parede. O chiclete sem gosto passeia entre os dentes elogiados pelo dentista da família. Nunca precisara de aparelho, orgulha-se. Lembra dos óculos guardados e dos graus irregulares de cada olho, fica feliz por não ter oftalmologista de família. Com um abraço apertado e um elogio pelo corte de cabelo a entrega começa e a espera termina.


2 Opiniões:

Luciano Freitas disse...

bom como sempre, curto como sempre, preciso como sempre!

Paulo Braccini disse...

o amigo demora mas qdo chega vem com toda a sua genialidade e sensibilidade ... faço minhas as palavras do Luciano ...

bjux

;-)