quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Robertos e Marianas;

Tudo começou quando a impaciente Mariana me pediu um maldito emprego na loja de conveniência em que eu sou o gerente. "Sim, claro!" - Respondi. Sabia bem das qualificações da moça, e precisava mesmo de uma operadora de caixa. A vaga foi preenchida e também o vazio que caracterizava a vida da Mariana. Dois meses depois a menina veio-me dizer que voltou a estudar, respondi que achava isso ótimo, mas pouco me importava com os estudos da guria, não conseguia parar de olhar para ela, estava apaixonado.

Em casa não podia deixar Roberto notar nada de estranho comigo. Eu e Roberto já estávamos juntos há quatro anos, ele tinha 27 e eu 26. Ele Trabalhava como enfermeiro em dois hospitais no centro, e faltava só mais um semestre para terminar o curso de medicina e se tornar o Doutor Roberto. "Pouco me importa meu futuro!" - Eu dizia quando ele se punha a reclamar da minha medíocre vida. Eu sei! Era mesmo medíocre, e um tanto chata. Eufemismos me sobram para descrever minha vida, e não pretendo usá-los neste pobre relato. Só basta saber que não tenho nenhuma prática com artes cênicas e, portanto minha paixão foi logo notada por Roberto. Não gosto de mentir. Na verdade eu gosto, mas alguma coisa me fazia falar a verdade. E falei! Roberto riu, mas quando afirmei a hitória toda, ele ficou pasmo. "Você transou com essa putinha?" - Roberto me perguntou com raiva. Disse que não, ele se acalmou, e disse-me que era para eu parar logo com isso. Fui dormir depois do ataque raivoso do Roberto, e sabia que no dia seguinte a primeira coisa que ia fazer era falar com a moça.

Quando acordei não tinha mais ninguém em casa, só eu e a foto da Edith Piaf parecíamos vivos no quarto. Tomei banho, me vesti e fui trabalhar. Não lembro ao certo a conversa que tive com Mariana, mas sei que alguns minutos depois estávamos transando no estoque. Não foi tão bom quanto imaginei. Nada estava bom, todas as minhas frases relacionadas à minha vida vinham com o belo fragmento "vai melhorar" no final. Enquanto eu me recompunha no estoque, decidi. Saí de lá e fui pedir demissão. Tinha algum dinheiro no banco e um passaporte que me deixava morar na Europa. Desisti de Robertos e Marianas. Vivo hoje na Holanda, moro com uma velha senhora que não me cobra aluguel, só pede, às vezes, que lhe invente algumas histórias.

7 Opiniões:

ana disse...

lindo seu blog!
Adorei o layout!

Vinícius disse...

Difícil tomar uma decisão. Mais difícil ainda voltar atrás numa decisão previamente tomada. Eu, por exemplo, resolvi mudar a disposição dos meus móveis no quarto; talvez eles me parecessem cansados daquela posição. Pois que hoje, olhando essa coisa estranha que ficou, não me reconhecendo aqui, completamente desnorteado, meio que me arrependo da mudança. Contudo, conto com uma ajuda mais que especial pra superar isso: o tempo. No mais, é cuidar de não tomar decisões cujos resultados não nos agradarão mais tarde.

É um clichê, mas é a mais pura verdade: sempre se aprende com os erros.

Tainá da Rua Morgue disse...

Enquanto lia me lembrei do que você disse sobre o conto... não consegui parar de rir!!
Lucas, menino bonito, já disse o quanto gosto de 'bater perna' no Centro com você?

Tainá da Rua Morgue disse...

Baiser.

(Aee já sei mandar beijo em francêssss)

Caroline Ribeiro disse...

Muito boa a história! Desistir de alguém é muito difícil e o seu personagem desistiu de dois alguém's. rsrs


Passa lá: http://www.caroolribeiroo.blogspot.com/

Beijão.

BóRiO...Que segue! disse...

Que é isso! Aderei a história meu brother!^^

depois que eu me liguei que o mlko é bi!kk

Abraço!

Magazine ÓPe disse...

gostei do desfecho.
sua visita é bem-vinda no meu blog