Sobre a engraçada podridão do tédio vespertino acolheu suas ideias mais ousadas de passagem de tempo e dedicou-se ao acaso. Acompanhado da inexperiência da solidão viu-se em meio a um turbilhão de possibilidades inexpressivas ao mundo que não o empolgavam pela fragilidade de suas proporções. Pôs-se fugitivo em si e acasalou o ócio com a preguiça frente à televisão ligada constantemente. Pelos minutos passados enquanto a desculpa de descanso foi válida não se culpou, a partir, porém decidido pela autovergonha espetou-se agulhas imaginárias compostas de expressões de ânimo. Insuficiente em si não mexeu os braças físicos nem qualquer outra parte do corpo esticado em posição de morte. Disperso em pensamentos e com o olhar fixo na tela colorida não se deteve em imaginar os possíveis desfechos do dilema trágico/desestimulante de fim de tarde, apesar das esperanças nenhuma hipótese criada foi interessante o suficiente para erguê-lo.
"Oh, se esta carne sólida, tão sólida, se esfizesse, fundindo-se em orvalho! Ou se ao menos o Eterno não houvesse condenado o suicídio! Ó Deus! Ó Deus! Como se me afiguram fastidiosas, fúteis e vãs as coisas deste mundo! Que horror! Jardim inculto em que só medram ervas daninhas, cheio só das coisas mais rudes e grosseiras."
Hamlet - Ato 1, Cena 2.
"Oh, se esta carne sólida, tão sólida, se esfizesse, fundindo-se em orvalho! Ou se ao menos o Eterno não houvesse condenado o suicídio! Ó Deus! Ó Deus! Como se me afiguram fastidiosas, fúteis e vãs as coisas deste mundo! Que horror! Jardim inculto em que só medram ervas daninhas, cheio só das coisas mais rudes e grosseiras."
Hamlet - Ato 1, Cena 2.





