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sábado, 26 de junho de 2010

Afiado

- Pedi-lhe o fogo, recebi carícia. Como fizeste da sala pequena o teu pandemônio? Explicaram-me com calma a tua subversão, mas não entendi a tua covardia.

- Podemos arrastar o sofá para aquele canto? Acho que a sala pode ser mais prática se tivéssemos esse espaço livre, você não acha?

- Tu não vês que essas metas só te afundam? O córrego das tuas mentiras escorre entre meus dedos, e você ainda tem coragem de me olhar nos olhos?

- Eu não vejo porque não trocar este sofá de lugar, olhe bem. Tente visualizar as ligações cromáticas que se dariam entre o sofá e a parede nova.

- Faz assim seu escárnio, mete este teu sofá onde quiseres bem. Não me importo com tuas cores, nem tão pouco com suas vontades. Só não quero ter que arrastar esta porra se quiser abrir a janela.


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Delírios risíveis


John chega ao fim da rua estreita, para na esquina movimentada e abre a mochila de couro surrado à procura de seus cigarros. Percebe que do outro lado da rua vem uma amiga dos tempos que tocava violão em uma banda. "Maria ou Amelie?" - Pensa confuso acendendo o cigarro. Era ruiva, vestia um vestido vermelho e andava rápido em sua direção. "John quanto tempo!" - Diz a mulher ao abraçá-lo. "Seu aniversário não foi ontem?" - Pergunta cabulada pela falta de animação do amigo. "Sim, completei 34 longos invernos" - Diz soltando fumaça pela boca. Ao terminar a dolorosa frase que diz ao mundo sua idade, a ruiva, Maria ou Amelie, some da frente de John como a fumaça que acabara de soltar.

[Texto e pitura meus . :)]