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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

fim de temporada

É como mudar de apartamento, mas sem levar as roupas.
É como comprar carro novo, mas deixando a carteira de motorista.

Mudo de ares, talvez de assuntos. Cansei das ideias, elas demandam tempo.

Quer me encontrar?
Continuo perdido nos botecos da vida, nas coxas cansadas, nos sonhos dormidos.

Novo velho endereço para os que gostam desta minha companhia:
http://recorteabstrato.blogspot.com/

Agente se vê.

sábado, 26 de junho de 2010

Afiado

- Pedi-lhe o fogo, recebi carícia. Como fizeste da sala pequena o teu pandemônio? Explicaram-me com calma a tua subversão, mas não entendi a tua covardia.

- Podemos arrastar o sofá para aquele canto? Acho que a sala pode ser mais prática se tivéssemos esse espaço livre, você não acha?

- Tu não vês que essas metas só te afundam? O córrego das tuas mentiras escorre entre meus dedos, e você ainda tem coragem de me olhar nos olhos?

- Eu não vejo porque não trocar este sofá de lugar, olhe bem. Tente visualizar as ligações cromáticas que se dariam entre o sofá e a parede nova.

- Faz assim seu escárnio, mete este teu sofá onde quiseres bem. Não me importo com tuas cores, nem tão pouco com suas vontades. Só não quero ter que arrastar esta porra se quiser abrir a janela.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pingo

Só fecha a janela quando pinga em seu ombro. Hermeticamente fechado em seu cinismo trágico. Eu olho, olho de longe. Eu não. Finjo surpresa na cólera alheia, amarro a cara, volto pro livro.
Onde eu estava? Qual era a linha, o ponto, o espaço?
A negação do silêncio nos permite se encontrar. A troca rápida do diálogo exige atenção fervorosa. Onde estão os diálogos pensados? Ao menos passem de uma linha seus cretinos! Estetas forçados com piercing de ouro no umbigo. A gema da à liga, da o cheiro e a cor. Depois do forno nem parece ovo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cerca

Pula a cerca
Aproveita tua alma acabada
Aproveita minha paciência
Pula!

Ao descaso ofereço tua vontade
Não é por mim, não minta
Suja a reputação
Limpa os sonhos
Pula!

Um provável cachorro nervoso te aguarda
Ansioso
Late forte, escuta?
Entrega-se, pula!

terça-feira, 17 de março de 2009

Tão perto

Eu postei no outro blog e deu vontade de pôr aqui também.
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Esqueço a menina que chora ao meu lado no banco do parque, esqueço o sofrimento da velha reumática que se empurra contra a idade pela ciclovia, esqueço a dor de viver a esperar o momento certo de levantar-me, abrir o guarda-chuva, e partir.
Vivo o trigésimo terceiro ano de minha estadia neste planeta, e o momento exato de partir nunca se mostrou para mim. Entenda partir não só como ir para algum lugar, mas sim libertar-me de certo modo.
A chuva chega, vai, e eu continuo, não literalmente é claro, parado em um banco de praça. Tenho minha vida, meus amores, meus ódios e até meus segredos, mas nunca pude dizer que levantei do banco da praça e parti.
Sempre vivi a observar e sentir os outros. Se alguém cai de uma bicicleta não levanto para ajudar, apenas sinto a dor das feridas que a queda abriu. Caso alguém ganhe qualquer coisa, fico extremamente feliz. E se perde, fico triste por dias. Assim vou indo, olho a chuva e imagino friamente me molhar.