Pensou nos filhos sem futuro, pensou no choro da esposa, lembrou até dos latidos importunos do cachorro durante a noite e continuou a andar. Não andava por liberdade, não mesmo, andava tentando achar um rumo, uma direção. Perdia-se toda vez que olhava para o céu, tinha inveja das nuvens, do azul, do nada. Pisava em passos firmes, afinal não ter um rumo não era desculpa para não ser intenso. No sapato carregava dedos ativos e animados que se mexiam entre os contatos do sapato com o solo. Estava em êxtase constante, o que era difícil explicar para um sujeito mal letrado e com uma vida tão sem..., sem..., enfim, sem. Cogitou diversas vezes durante seu percurso a não existência de um rumo a seguir, sendo esse o único caminho verdadeiro. Desistiu de cogitar, cansava demais. Já lhe mostraram alguns caminhos alternativos, a maioria com salvação espiritual no final, ele simples não se importava com o final, mas o que viveria até chegar lá, agradecia e continuava a andar. Divertiu-se quando lhe fizeram uma proposta para a venda de sua alma; "Chefia, não posso vender uma coisa que não sei se tenho no estoque." - Respondeu maroto. E sem muitas explicações e algumas dores que fez questão de enfrentar, ele morreu. sábado, 4 de julho de 2009
A bússola aponta sempre para o norte
Pensou nos filhos sem futuro, pensou no choro da esposa, lembrou até dos latidos importunos do cachorro durante a noite e continuou a andar. Não andava por liberdade, não mesmo, andava tentando achar um rumo, uma direção. Perdia-se toda vez que olhava para o céu, tinha inveja das nuvens, do azul, do nada. Pisava em passos firmes, afinal não ter um rumo não era desculpa para não ser intenso. No sapato carregava dedos ativos e animados que se mexiam entre os contatos do sapato com o solo. Estava em êxtase constante, o que era difícil explicar para um sujeito mal letrado e com uma vida tão sem..., sem..., enfim, sem. Cogitou diversas vezes durante seu percurso a não existência de um rumo a seguir, sendo esse o único caminho verdadeiro. Desistiu de cogitar, cansava demais. Já lhe mostraram alguns caminhos alternativos, a maioria com salvação espiritual no final, ele simples não se importava com o final, mas o que viveria até chegar lá, agradecia e continuava a andar. Divertiu-se quando lhe fizeram uma proposta para a venda de sua alma; "Chefia, não posso vender uma coisa que não sei se tenho no estoque." - Respondeu maroto. E sem muitas explicações e algumas dores que fez questão de enfrentar, ele morreu. Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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sábado, 27 de junho de 2009
Cama
O sopro doce sobre a pele macia, a música cantada bem baixinho e o cheiro forte de terra molhada. Chove lá fora, de cinza a paisagem já familiar, amiga, é tingida. O mundo pára entre as piscadas demoradas do olho caído. Pode ser que quando acorde esteja frio e sem chuva, se sim, sairá para terminar de decorar a casa que faz para o gato que vai ganhar de aniversário, ou pode subir na árvore que admira há anos pela janela de seu quarto.
O pé sente o lençol macio e a mão puxa a mão da mãe como se fosse ela o melhor cobertor do mundo. Sente-se seguro para dormir durante a tarde, pensa que talvez os monstros que podem oferecer perigo durante a noite podem estar ocupados demais para se interessar em perturbar seu sono vespertino.
Como não pode ser feliz? Ouvira o pai falar da existência de muita tristeza no mundo, não consegue entender, sente-se culpado. Seria ele a exceção ou mais uma anomalia? Não vê defeito no mundo e alegra-se quando as coisas não vão como devem ser, não tem medo do futuro. Será egoísmo? Por possuir muitas coisas, física e emocionalmente, ficara indiferente à tristeza do mundo? "Criança não precisa pensar nisso menino!" - Respondem sempre que pensa alto. Não pensa alto, nem fala sozinho por defeito, só gosta da sensação de conversar consigo mesmo. Dorme enfim.
O pé sente o lençol macio e a mão puxa a mão da mãe como se fosse ela o melhor cobertor do mundo. Sente-se seguro para dormir durante a tarde, pensa que talvez os monstros que podem oferecer perigo durante a noite podem estar ocupados demais para se interessar em perturbar seu sono vespertino.
Como não pode ser feliz? Ouvira o pai falar da existência de muita tristeza no mundo, não consegue entender, sente-se culpado. Seria ele a exceção ou mais uma anomalia? Não vê defeito no mundo e alegra-se quando as coisas não vão como devem ser, não tem medo do futuro. Será egoísmo? Por possuir muitas coisas, física e emocionalmente, ficara indiferente à tristeza do mundo? "Criança não precisa pensar nisso menino!" - Respondem sempre que pensa alto. Não pensa alto, nem fala sozinho por defeito, só gosta da sensação de conversar consigo mesmo. Dorme enfim.
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sábado, 20 de junho de 2009
Grey Garden
Gosto tanto quando um filme faz sair do normal, do superficial. Flutuei com esse tal jardim, me transpus. Tive medo do futuro, de perder cabelo e de não ser.Rabiscado Por Lucas 8 Opiniões
Marcadores: 35mm, Rosas no carpete
Cigana
- Eu vejo um mundo dourado pra você.
- Só por olhar as linhas da minha mão?
- É. Vejo também que terá muitos amores.
- E com qual devo ficar?
- Escolha. É possível que fique muito rico.
- Já me disseram isso.
- Mas morrerá cedo de câncer.
- Larga a minha mão sua puta.
- Está bem, morrerá dormindo.
- Exato...
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Catarse
Sento bobo e desajeitado sobre o divã. Doutor Carvalho se vira rápido com um impulso no chão que faz a cadeira giratória parar exatamente de frente para mim. Sorrio. Ele sorri. "Bom dia, como estamos?" - Pergunta. Respondo mudando rapidamente de expressão que só posso dizer por mim e que a resposta não é das melhores. Ele faz aquela cara que deixa transparecer que tem todo o conhecimento do mundo em suas mãos e que pode rotular com certeza todas as minhas disfunções sociais. Encosto a cabeça na parte alta do divã e dou sinal de que nossa próxima hora de frases sobre mim vai começar. "Aconteceu uma coisa muito estranha comigo esses dias”.- Digo esperando que se inicie algo parecido com um diálogo que me deixa mais confortável para continuar. "Não me importo!" - Disse o Doutor num misto de agitação e alegria. "Como não?" - Volto a sentar dizendo. "Meu filho, pare com isso”.- Disse e olhou-me fundo insinuando que não queria réplica. Faço-me de ofendido e me ponho de pé frente ao Doutor Carvalho, olho-o no olho esperando demonstrar toda a raiva que tento sentir e cuspo no chão. Saio de lá curado.
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Espero voltar, mas não como antes, a ser presente por aqui. Não entenda presente como constante. Espero que tenham gostado das mudanças. Vejo-os.
Rabiscado Por Lucas 6 Opiniões
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