sábado, 14 de novembro de 2009

Verdade

Maria Amélia é mulher de verdade
Lava
Passa
Cozinha
Tendo tempo, sorri
E passa pelo bairro
Com seu cabelo amarrado
Seu vestido de renda
Enquanto carrega
O menino pela mão
A trouxa na cabeça
De verdade
Maria Amélia é só.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Posters




Imagens, imagens e mais imagens. Por todos os lados. Faz de conta que tá valendo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Do sofá

Por gotas contadas e goles amargos veio a tarde sem sal, de um mundo pequeno, opaco e sem vontade. Percorreu os canais da televisão e nada, absolutamente nada. Sozinha admirou a janela canelada de visão abstrata e sem cores. Percebeu dois carros passando rápidos em fuga. Para onde vão? Em qual esquina fica a dobra necessária para um destino certo? Levantou-se rápido na tentativa de vê-los. Não os viu. Abrira a porta por nada, fingiu para ninguém que apenas fora dar "oi" ao cachorro bobo que sempre a olha com olhos de sono e fome certa. Entrou rápido guardando no bolso a frustração. Bolso cheio. Jogou-se novamente no sofá dessarumado e querendo, porém sem grandes demonstrações, tocou-se ligeira. Resumida tentação de se amar, de ser amada. Não consegue preencher-se sozinha, tentar virara ritual. Histórias loucas passam em seus olhos enquanto se expande em si mesma. Sorriso bobo. A apresentadora do programa chato pára e a olha com repulsa e castidade. Sente-se culpada, suja, satisfeita.

O toque do telefone interrompe o transe do banho desnecessário. Não atende, imagina. Algum parente morto, algum convite chato ou talvez uma ótima proposta. Arrepende-se. Fecha o chuveiro, enrola-se na toalha rosa e sai pingando do Box na esperança de uma nova tentativa do telefone. Nada. Em plena cólera joga a tolha sobre o mesmo sofá que fora há minutos seu amante e deita no chão. O latido do cachorro impõe a realidade. Olha a sala pelos cantos dos olhos e imagina-se no meio do nada. Do vazio. De um espaço branco. Paralisa. Dorme solitária.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Primavera

Num clique repentino flagrei a abelha.

(Jardim Botânico - UFRRJ)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fumaça

A tarde caia quente soprando um vento morno e deixando os corpos agitados. Um bonde barulhento acendia as luzes enquanto passava frente a um bar meio vazio. As crianças libertas da última aula que tiveram conversavam alto enquanto faziam uma garrafa de bola e chutavam-na entre si. Um homem de sandálias passava no portão enferrujado da casa antiga enquanto respirava fundo. Um cheiro forte de fumaça tomava conta de todo o bairro. Por um segundo tudo parou, o vento, o bonde, as crianças, o homem e a fumaça. Ela se olhou séria diante do espelho e virou eternidade.