terça-feira, 14 de outubro de 2008

Por alí;


"Viram quando você passou por ali?" - Perguntou o menino alto de cabelos loiros. "Espero que não" - Respondeu ofegante o menino magro com uma maleta preta na mão.


***

Eram parceiros. Mais que isso, eram irmãos. De tudo que passaram em suas juventudes à única coisa que valia lembrar era a amizade verdadeira entre os dois.

Junior, “melhor Junior, que Carlos Junior” - ele sempre dizia, era o mais velho dos dois. Desde pequeno sabia de sua grande beleza e da grande sensação de segurança que passava aos outros. Já Roberto foi sempre magro e o palhaço da dupla. Cabendo-o sempre a função de divertir a todos, mesmo quando não o queria fazê-lo.

Passaram por muitas coisas na vida juntos, e a certeza de um sempre ao lado do outro os fazia continuar. Alguns curiosos diziam sem pudor que formavam um belo casal. Já outros duvidavam de suas índoles. Mas os garotos, homens, sempre foram, esquecendo os adjetivos casuais, amigos!

Entre eles as coisas do mundo se resumiam a detalhes, pequenos detalhes, diante do mundo que haviam, em dupla, criado. Entre suas histórias, a que mais os cativava era a de quando, sem medo, tentaram roubar a epístola do padre do bairro. “Digno de filme” – Roberto sempre dizia.

Suas personalidades eram um tanto peculiares. Seu João, o velho gaúcho dono da padaria, adorava conversar com Junior sobre os clássicos filmes que: “Não são como os de hoje, guri” – sempre dizia ele. Junior apenas ignorava-o quando desandava a falar sobre “Alfred Hithcock”. Sabia que suas opiniões não seriam nem de longe analisadas pelo padeiro polaco, apenas sorria. Tinha um humor irônico, que de tão perfeito se escondia na face clara e sorridente emoldurada por cabelos cor de ouro. Sabia disso perfeitamente.

Ricardo não se fazia de rogado quando a situação exigisse uma piada. Era o bom menino engraçado da casa 23. Mas só ele próprio sabia que sua raiva um dia explodiria. Cultivava-a com certo ardor. Era para ele uma pequena planta que, com certeza, um dia se desmancharia em flor. Suas flores, que distribuiria sem nenhuma piedade.

De certa etapa da vida dos dois meninos, é melhor poupar-se. A vida fez o trabalho de encaminhá-los por muitas situações até chegarem a dividir um pequeno apartamento no centro do Rio de Janeiro.

Depois de uma noite cheia de idéias e possibilidades, eles estavam prontos para o roubo.
- Passe por ele como se nada acontecesse.
- Ok, mas onde eu pego a pasta?
- Relaxa. Eu conheço tudo neste banco, assim que me ver entrar na sala do gerente para tirar cópias de documentos, peça-o para ir ao banheiro. No banheiro pegue a mala preta na segunda cabine.
- Mas como eu vou sair daqui.
- Não vai. Entre no banheiro feminino e espere 10 minutos.
- E saio?
- Sim, correndo! O Guarda vai estar ocupado com a mulher que vai dar um chilique na fila. Pode confiar.
E lá foram eles...

Por Lucas Moratelli

5 Opiniões:

Coelho Sem Orelhas disse...

Vim conhecer o seu blog. Gostei muito. Com certeza voltarei mais vezes.

Luciano Freitas disse...

heheheh mais um belo conto... vi que fez uma capa para um dos seus contos e disse estar me copiando, rs. deixa disso...rs. as idéias existem para isso mesmo! ;) abração!

Tainá-O-Rama disse...

:)

Você não tinha feito uma ilustração muito legal pra esse também?

Rá*~ disse...

Adorei o conto.
Voltarei mais vezes, pode apostar

;)

Darinha disse...

Adoreiii o conto...

é bem legal mesmo... muito criativo...

bjusse e estarei aki mais vez tah....


bjusss
http://hectoplasma.blogspot.com